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  • 02/15/17--09:01: ISABEL DE SÁ [19.942]

  • Isabel de Sá

    Isabel de Sá (Punchbowl 8 de septiembre de 1951) es una artista, poeta y escritora portuguesa.

    Isabel nació en Punchbowl el 8 de septiembre de 1951. Asistió a la Escuela de Bellas Artes de la Universidad de Oporto, donde se graduó en Bellas Artes / Pintura. Ejerció la profesión de maestra. Inaugura la primera exposición en 1977 en las galerías Dos y Alvarez, del Port, donde residía.

    En 1979 se publicó el primer libro de poemas titulado Esquizo Frenia, pela editora &etc, con dibujos y cubierta de Gracia Martins. A partir de entonces inaugurará numerosas exposiciones individuales en galerías principalmente en Lisboa y Oporto, incluyendo Galeria Árvore do Porto (1979, 1980, 1983, 1987, 1990, 1993), Galeria Opinião de Lisboa (1978, 1979, 1980 ) en Labirintho do Porto (1992).

    Bibliografía 

    1979- Esquizo Frenia (edições &etc, capa e desenho de Graça Martins )
    1980- 5 Folhetos Poéticos (edição das autoras, com desenhos de Graça Martins )
    1982- O Festim das Serpentes Novas (Brasília editora, capa e desenhos de Isabel de Sá, desenho de Graça Martins , prefácio de Maria Isabel Barreno )
    1983- Bonecas Trapos Suspensos (editora Frenesi)
    1983- Desejo ou Asa Leve (edição Fenda, desenho de Graça Martins )
    1984- Autismo (edições &etc, capa de Isabel de Sá, desenho de Graça Martins )
    1984- Restos de Infantas (edições Ulmeiro, capa e desenhos de Graça Martins , prefácio de Eduarda Chiote )
    1984- Nervura (edição Mirto, desenhos e capa de Graça Martins )
    1986- Em Nome do Corpo (edições Rolim, desenhos e capa de Graça Martins )
    1988- Escrevo Para Desistir (edições &etc, desenho de Isabel de Sá)
    1991- O Avesso do Rosto (ed. Caminho)
    1993- O Duplo Dividido seguido de Palavras Amantes e Os Poetas Suicidas (ed. &etc, capa e desenhos de Isabel de Sá)
    1997- Erosão de Sentimentos (ed. Caminho)
    1999- O Brilho da Lama (ed. &etc, capa e desenhos de Isabel de Sá)
    2005- Repetir o Poema (poesia reunida 1979-1999) (ed. Quasi, capa de Isabel de Sá)

    Exposições Individuais 

    1977- Galeria Dois, Porto/ Galeria Alvarez, Porto
    1978- Galeria Opinião, Lisboa
    1979- Galeria Opinião, Lisboa/ Galeria Árvore, Porto
    1980- Galeria Árvore, Porto/ Galeria Opinião, Lisboa
    1983- Galeria Espaço A- Clube 50, Lisboa/ Galeria Árvore, Porto
    1986- Galeria Espaço A- Clube 50, Lisboa
    1987- Galeria Árvore, Porto/ Galeria Barca d´Artes, Viana do Castelo / Galeria Templo do Gato, Lisboa
    1988- Galeria Augusto Gomes, Matosinhos
    1990- Galeria Árvore, Porto
    1992- Galeria Labirintho, Porto
    1993- Galeria Árvore, Porto
    2002- 25 Anos de Pintura (em conjunto com Graça Martins), Galeria Alvarez, Porto
    2003- Das Trevas Para a Luz , Galeria São Mamede, Lisboa
    2005- O Rosto do Mundo , Galeria Símbolo, Porto
    2007- O Triunfo da Natureza , Galeria Símbolo, Porto
    2008- The Love Box , Galeria Solar de Santo António, Porto
    2011- A Imagem Coisa Primordial , Galeria João Pedro Rodrigues, Porto
    2012- Elementos Naturais e Outros Figurantes , Galeria Porto Oriental, Porto

    Exposições Colectivas (selecção) 

    1983- I Bienal de Chaves , Chaves (Laureada com o primeiro prémio)
    1984- Lagos 84 , Lagos
    1985- Um Rosto Para Fernando Pessoa , Centro de Arte Moderna, Lisboa
    1986- Kunstlergruppe , Galeria T3, Mannheim ( Alemanha )
    1987- III Bienal de Chaves
    1988- 25 Anos/ 44 Artistas , Galeria Árvore, Porto
    2000- Cerveira 2000 Arte Contemporânea , Vila Nova de Cerveira
    2001- Euro-World , Franquefurte (Alemanha)
    2002- VII Bienal de Artes Plásticas, Cidade de Montijo -Prémio Vespeira , Montijo
    2012- Quarta Exposição Arte Urbana , Porto




    CONCLUSIÓN

    Fui amante de la muerte
    Y de la belleza. Vi la locura,
    Creí en la vida.
    De la infancia hablé
    Como lugar de abismo.
    El placer
    Fue también la gran fuente
    De perturbación y alegría.
    Recordé las mujeres
    Que rechazaron someterse,
    Escribí palabras fúnebres.

    No guardé la adolescencia,
    El corazón resentido
    Y no supe qué hacer
    De mí fuera de las palabras.
    Escribí para renunciar
    Y depender
    Y tener identidad.

    Traducción por Sandra Santos




    CONCLUSÃO

    Fui amante da morte
    E da beleza. Vi a loucura,
    Acreditei na vida.
    Da infância falei
    Como lugar de abismo.
    O prazer
    Foi também a grande fonte
    De perturbação e alegria.
    Lembrei as mulheres
    Que recusaram submeter-se,
    Escrevi palavras fúnebres.

    Não poupei a adolescência,
    O coração magoado
    E não soube que fazer
    De mim fora das palavras.
    Escrevi para desistir
    E depender
    E ter identidade. 




    Realidade

    Por causa de um livro 
    vieste ao meu encontro. 
    Era Verão, não sabias de nada 
    nem isso interessava. Palavras 
    amavam-se fora de ti, 
    no atropelo das emoções. 
    Lá chegaria a primeira vez, 
    o encontro apressado num lugar 
    público. Desfeito o erro 
    ao toque da pele, não sei 
    se havia medo, a paixão queria-me 
    no lugar exacto do teu coração. 
    Palavras enrolam-se na sombra 
    da vida a dor do sentimento. 

    Atingido o espírito, o tempo 
    da infância, a realidade. Em ti 
    a solidão que o prazer 
    não mata. Quero a beleza 
    dos versos revelada. 
    Alguns anos passaram sobre 
    a nossa história que não acabou. 
    A tarde envelhece e escrevo isto 
    sem saber porquê. 

    Isabel de Sá, in “Erosão de Sentimentos” 




    DENTRO DAS IMAGENS  

    Os poemas têm veneno na boca. 

    Na estrada da minha vida 
    plantei a árvore 
    sem saber quem era. 

    Em que parte do planeta 
    há mais ódio? A matéria 
    erosiva transforma o corpo 
    e não há regresso. Não 
    restará um monte de estrume. 

    Em todo o lado 
    parece que o mundo em desordem 
    pouco a pouco enlouqueceu 
    e os homens atam a corda 
    à espera que aconteça. 

    São infelizes 
    mas não o suficiente. 
    Não sabem dizer 
    por que se esquecem de amar. 



    *


    Só o lume dos teus beijos rompe 
    a treva onde a solidão nos mata. 
    Enrolamos a vida no escuro, 
    na semente de um amor atribulado. 

    Conhecemos o ritmo e a sede, 
    a convulsão do desamparo. 
    No sentido do corpo, no acerto 
    desce a força pelos braços 
    na violenta festa do prazer. 

    Tudo o que disseste 
    no desaforo da paixão 
    só podia incendiar a vida inteira 
    e encher de esperança o universo. 




    A VERDADEIRA BIOGRAFIA: O PERCURSO 

    A minha biografia 
    é evidentemente excepcional. 
    Tive um Pai uma Mãe 
    nasci numa Casa 
    fui à Escola da vila 
    depois do concelho. 
    Mudei de distrito para 
    continuar 
    e o caminho da instrução 
    concretizou-se na Faculdade 
    de Belas Artes. 

    Da infância passada em plena 
    Natureza lembro 
    a beleza das estações do ano 
    os rituais católicos 
    uma criada preferida 
    o instante em que aprendi a ler. 
    Chegou a adolescência 
    e com ela a certeza 
    Quero ser professora de Desenho. 
    Suponho que a Biblioteca 
    me salvou do desastre 
    interior. 
    Tinha dezassete anos 
    e requisitei “Uma Época 
    No Inferno” de um rapazito 
    chamado Jean - Arthur Rimbaud. 

    Na Biblioteca o empregado 
    olha-me sempre com reserva. 
    Eu estudava o quê? 
    Um dia livros de medicina 
    outro dia de poesia. 
    Então a ciência é poética? 

    A entrada na vida adulta 
    aliada à independência 
    e ao amor. O meu país 
    sofreu uma revolução. A democracia 
    não honrou ainda a sua palavra. 
    Cumpro deveres e não posso 
    usufruir de direitos proporcionais. 
    Eu e alguns milhares 
    neste sentimental canto 
    europeu sob um regime 
    semiditatorial 
    contribuo 
    para a sopa e os vícios 
    de alguns milhares de parasitas. 

    Mudando de assunto a pátria 
    é grande e a família também. 
    Para mim já passou 
    o meio século. Já foi o Pai 
    a Mãe e o Irmão mais velho. 
    Estou por cá à espera 
    certamente. 

    Não é provável que me entregue. 
    Conheci o galinheiro do confessionário 
    ajoelhei-me diante do altar 
    da virgem. Apaixonei-me. 
    Também recebi um terço de prata 
    no dia da comunhão solene. 
    E na hora exacta o óleo 
    perfumado do crisma. 

    Sempre que vou a uma missa 
    de corpo presente lá está o mesmo altar 
    com a deslumbrante 
    virgem. Entretenho-me 
    a recordar que já tive 
    quinze anos e também 
    adorei. 

    Depois a Páscoa a soturna 
    via sacra onde sofria 
    pela minha dor 
    e as beatas exibiam lágrimas 
    como dádiva pelo calvário 
    a que Jesus foi sacrificado. 

    Jesus era belo na sua passividade. 
    Os longos cabelos 
    o olhar suplicante 
    as pernas 
    o tronco liso 
    o ventre. Por fim 
    a entrega. Braços abertos 
    para o bem e para o mal. 

    Agora neste dois mil e seis 
    trata-se de insistir. Já é tarde 
    para quase tudo. 
    Os meus contemporâneos alimentam 
    uma curiosidade fétida. 
    A obra é minha. Faço 
    o que quero. Escondo 
    rasgo 
    mostro 
    transformo 
    entrego ao crematório 
    deixo aos herdeiros 
    ao vaticano 
    não deixo. 

    Nunca esmolei. Não fui pobre. 
    Mas os sinais da exclusão 
    o ódio é tão luminoso 
    que seria patético 
    psicotisante até 
    não articular sequer 
    estes versos 
    antes da eutanásia. 




    NO DESENHO

    A ruína atinge a superfície das palavras, abre no texto uma fissura de lume. Escrevo o que tu queres, a morte do dia. No desenho o rosto adormecido contrasta com o escuro traço da grafite. Também ele será pó ou alguma flor subterrânea. Mas ao espelho eu sou a personagem principal que se desloca na realidade imaginária dos meus livros. Escrever é triste e lembra a beleza do Outono.




    NEGAÇÃO

    Persigo uma exigência obscura, corro o risco de entrar na minha realidade. Exponho-me à vergonha de escrever, à erosão que isso provoca. Ouso desejar o suicídio das palavras, saber o que me resta. Na estranha paixão do esquecimento, na falta de superfície do eu que me reveste, escrevo porque digo sempre o mesmo. E não há nada de secreto, a escrita é apenas arte.
    O tempo, essa brecha, abre no poema o nosso rosto, na pele se introduz e arruína. Se o meu espírito estiver destinado a afundar-se, se a potência do mal quiser o meu limite, serei a radical negação.




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  • 02/15/17--09:10: SOFIA CARVALHINHA [19.943]

  • Sofia Carvalhinha 

    (1993). Estudiante, escritora y activista política portuguesa. Organiza y dirige proyectos académicos, cívicos y culturales en Portugal.





    AL ATARDECER DEL SILENCIO

    Al atardecer del silencio
    Como niebla condensada en mi pecho,
    Me retraigo dentro de mí
    En esta pequeña cuna de ansias,
    Donde se agitan esperanzas tenues
    Y abalan dolores inconquistables.
    Me pregunto, a la niña que muere
    Brotando en alguna parte del alma,
    Cuántas angustias habitan en ti
    Y cómo permaneces tan sólo bella.

    Traducción: Sandra Santos



    AO ENTARDECER DO SILÊNCIO

    Ao entardecer do silêncio
    Como névoa condensada no meu peito,
    Recolho-me dentro de mim
    Neste pequeno berço de anseios,
    Onde se agitam esperanças ténues
    E abalam dores inconquistadas.
    Me pergunto, à criança que morre
    Brotando algures no lugar da alma,
    Quantas mágoas habitam em ti
    E como me permaneces tão somente bela.






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  • 02/15/17--09:22: SANDRA SANTOS [19.944]

  • Sandra Santos 

    (1994). Estudiante, escritora y traductora portuguesa. Dirige y participa en proyectos culturales, artísticos y literarios en Portugal, España y América Latina.

    Sandra Santos (Portugal, 1994). Estudante, escritora e tradutora. Licenciada em Línguas e Relações Internacionais (Faculdade de Letras da Universidade do Porto), é actualmente mestranda em Estudos Editoriais (Universidade de Aveiro). Participa em projectos culturais, artísticos e literários. Traduz do português e inglês para o espanhol e do inglês e espanhol para o português. As suas traduções estão publicadas em Portugal, Espanha e América Latina, nos blogues e revistas "Cuaderno Ático", “Buenos Aires Poetry”, “escamandro”, “Círculo de Poesía”, “Poesia vim buscar-te”, “Otro Páramo”, “La raíz invertida”, "mallarmargens" e "Bitácora de vuelos". A sua missão de vida é contribuir para a partilha de conhecimento, através da sua intervenção político-poética no mundo.





    silencio pleno en mi pecho
    la mirada nublada y ungida
    de un nombre blanco e infinito
    una cadencia milagrosa del mundo
    sobre el rostro un precoz rubor prolongado
    el vuelo disipándose nocivo
    el corte celeste en la alegría sombría
    de todo.

    y nada se asemeja al viaje
    al movimiento inquieto
    de una múltiple saudade que agrega
    lucidez a la sorpresa
    —una respiración reescrita a prisa
    posante la muerte desprendiendo de la piel
    un murmullo casi noción del mundo.



    *



    silêncio pleno em meu peito
    o olhar enublado e ungido
    de um nome branco e infindo
    uma cadência milagrosa do mundo
    sobre o rosto um precoce rubor prolongado
    o voo dissipando-se nocivo
    o corte celeste na alegria sombria
    de tudo.

    e nada se assemelha à viagem
    à movimentação inquieta
    de uma múltipla saudade que agrega
    lucidez à surpresa
    —uma respiração reescrita à pressa
    possante a morte desprendendo da pele
    um murmúrio quase noção do mundo. 





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    Gema Bocardo Clavijo

    Madrid, España. Abogada, escritora, redactora Freelance y narradora oral.

    Fue miembro de la Red de Arte Joven de la Comunidad de Madrid, recitando en Centros Públicos y Privados de la CAM. Primer poeta español en recitar en «The Trireme of Ionian Poetry», evento poético organizado por The Ionian Creators' Club con la colaboración del Ayuntamiento de Sarandë, Albania. Algunos de sus poemas, relatos y artículos han sido traducidos al macedonio y al albanés.

    Poemas y relatos publicados en Antologías Colectivas como Banco de Maridos Defectuosos. Viejos Amigos. Versos en el aire. Ecos del Grito. Historias de Bilbao en Fiestas. Diez Voces de la Poesía Actual. Palabra Viva. Punto G. Desde el corazón de Murcia. Cuerno de la luna y en medios digitales como Guatiní (Miami), Budnost (Macedonia), Fjala e Lire (Reino Unido), Trajín (México), Revista La oca Loca, Acantilados de papel, Groenlandia, Poesía Indignada, El arcón de las fábulas, GayArt, Somos sumas...

    Ha recitado en locales y festivales como Diablos Azules, Bukowski, Café Libertad 8, Zalacaín, La Noche Boca Arriba, Grito de mujer, 100mil poetas por el cambio, La Piel cose las distancias, Foro Poético Real Casino de Murcia, Autores Europeos en la Biblioteca Regional de Murcia, Gente Pequeña, Murcia pinta mucho contra el cáncer, Festival Ser o No Ser...

    Cuentacuentos para niños y adultos en solitario y como parte del grupo de cuentacuentos CuentaminaTe en festivales, colegios, bibliotecas públicas, residencias de ancianos, fiestas patronales, eventos solidarios y locales como Teatro Candilejas, Zanzíbar, La Flauta Mágica, El Desván, Brujas, El Dinosaurio todavía estaba allí, Los Pájaros Ateneo Cultural...
    Organiza en la actualidad ErotiZarte.

    Premios literarios:

    Primer Premio de Poesía del IX Certamen Literario del Excmo Ayuntamiento de Loeches                                                                          
    Primer Premio de Poesía Santa Catalina de Sena 
    Primer Premio de Cuentos Santa Catalina de Sena 
    Finalista del II Certamen Internacional Picapedreros 2012
    Finalista del Certamen Internacional Ars Creatio 2012
    Finalista del I Concurso Internacional de Relato breve El Dinosaurio 2013
    Finalista del II Certamen de Poesía Aseapo 2013
    Finalista de la II Edición del Concurso Marzorelatos del Excmo. Ayuntamiento de Espartinas
    Primer Premio del Certamen Internacional de Relato Aste Nagusia 2014
    Finalista I Certamen Literari Tamariu 2015
    Finalista Concurso Internacional de Microrrelatos Biblioteca de Godella 2015
    Finalista I Certamen de Microrrelatos Aldaia Cuenta 2015
    Finalista II Certamen Internacional Ángeles Palazón de Cuentos de Navidad 2015
    Primer Premio VI Concurso de Poesía para Mujeres La Nucía 2016
    Finalista del III Certamen Internacional de Relato Breve Pasión por Leer 2016

    En su blog Puentes y muros (http://gemabocardo.blogspot.com.es/) muestra parte de su trabajo.



    DE PEQUEÑA

    Sólo necesitaba un perro
    y una isla desierta en la que perderme,
    pues la gente te abandona,
    te traiciona,
    te hiere.

    Pero al crecer aprendí
    que la soledad es permanente
    porque los perros se mueren.
    Los perros se mueren.
    Se MUEREN.

    Primer Premio VI Concurso de Poesía para Mujeres La Nucía 2016




    CACHORROS

    Una ambulancia en una esquina.
    Delante de mi, dos niños pequeños.
    «¿Qué habrá pasado?» Preguntó el niño.
    La niña contestó: «Un viejo menos.»

    Caminaba deprisa.
                                  En cada mano
    la correa de un perro;
    los cachorros obedecían
    pero tiraba con saña
    lastimando sus cuellos.

    Debió de sentir mi mirada
    porque se giró un momento.
    Su cara, sorprendida
    al leer en mis ojos
                                   el desprecio.

    Me pregunto cómo puede
    albergar tanta miseria
    un corazón 
                        tan pequeño.

    Finalista I Certamen Literari Tamariu 2015



    MALDITOS CUENTOS

    Dicen que el cierzo
    congela los huesos...
    a ella le hiela el alma
    el roce de Sus dedos.

    Dicen que abrasa las pupilas
    el desierto...
    a ella la asfixia la calina
    de Su aliento.

    Dicen que ensordece la marejada
    golpeando el puerto...
    a ella le rompió el tímpano
    un puño abierto.                                                                   
                                                                                                
    Dicen 
    los malos cuentos
    que las princesitas aguarden 
    que el príncipe azul las salve
    de su encierro...

    A ella el príncipe la encadenó
    con un anillo de oro
    en una cárcel de miedo.

    Y se asoma tras los barrotes,
    con la mirada ausente
    y marcas en el cuerpo.

    Con todos sus sueños
    de cuentos de hadas
    deshechos.                                                                       



    UN SUEÑO

    Mi madre trabajó toda su vida
    persiguiendo un sueño:
    masajeando la espalda de ricos, 
    colocando tendones,
    enderezando huesos.

    Ahorrando gota a gota de sudor.
    Desgastando su tiempo. 

    Cuando la artritis amenazó fuerte
    con corroerle los huesos,
    sacó las gotas de sudor del banco, 
    se compró una casita,
    hipotecando su aliento.

    Tenías que ver el brillo de sus ojos
    al oler tanto cielo...

    Un día, un yonqui de esos 
    que rapiñan dinero
    le rompió la verja, 
    le destrozó la puerta,
    robándole el sueño.

    Las lágrimas de mi madre rodaron, 
    gota a gota,
    humedeciendo el suelo.

    Ya no le parece tan brillante 
    el límpido color del cielo;
    y se refugia en su casita de gotas de sudor
    con miedo.

    No te digo que no me apene el yonqui, 
    su mono, su angustia, su miseria,
    su duelo;
    pero me gustaría tener un cuchillo, 
    encontrarlo una noche,
    y cortarle el cuello.



    BENDITO

    Si crecer...
    es enlodar la inocencia,
    traicionar los principios,
    renunciar a los ideales,
    enmudecer el cariño,
    golpear los labios cálidos,
    coleccionar enemigos...

    ¡Dejadme dormir
    en el útero de mi madre
    desnudo y bendito!




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    Nicolás Peña Posada 

    (Bogotá, Colombia 1991) Egresado de la Universidad de los Andes en la doble titulación de literatura y artes plásticas. Realizó el diplomado en escrituras creativas en el Instituto Caro y Cuervo. Como proyecto de grado creó y publicó el poemario titulado Ciudad de perros y palomas. Asimismo, ha publicado poemas en diversas revistas y periódicos de Colombia, como también en la revista mexicana La otra. Ha participado en varios recitales y, actualmente, dirige la página cultural Águilas y moscas, espacio en el cual escribe periódicamente poesía y narrativa.


    Poemas de Las bestias que soy



    Aquí nadie llega y estoy solo
    en el fondo de algo que desconozco
    y hay rocas en la piel
    y hay un lagarto que se parece a mí
    y se camufla entre las membranas de las hojas
    entre las escamas de las sombras 
    que están quietas tibias y quietas
    y no juegan a nada y no hablan con nadie
    y parecen hombres oscuros con sus fusiles
    cuidando la tierra que se alarga entre lianas 
    y pasa una serpiente pasa como un instinto
    como un reflejo como una señal que no se deja leer
    como un delgado tren cargado de días cargado de pocos huesos 
    cargado de algún roedor que soy yo y que se descompone
    y la serpiente muda de piel y muda de vida y muda de palabras
    y ágil así como estaba ya no está ya es otra ya se fue
    y apenas quedan resquicios de su color pasado de su olor ausente
    y aquí no hay nadie y aquí nadie llega y estoy solo

    con el montón de tierra donde de nuevo duermo 
    con el montón de bestias que de nuevo soy.



    *


    Quedaron sepultados los gritos del parque
                                        bajo las piedras porosas
    formando el lenguaje oscuro de los insectos.

    Quedaron las oraciones de las ancianas
    selladas en los labios de los árboles
    que miraban estupefactos
    el baile de la muerte sobre el vientre rojo del aire.

    Quedó el color dorado de los niños
    que corrían por las calles empedradas
    pegado en forma de costra
    a la piel de las viejas casas del barrio
    donde el tiempo era una puntilla doblada a punto de caerse.

    La madre y el hijo son ahora 
    una estatua oxidada de silencio
    que recorre en las noches la plaza
    vigilando el sueño de las palomas en los techos
    y el canto ahogado de las campanas en los charcos.

    El viejo que vendía aguacates
    se convirtió en una estrella que ya no brilla
    caída sobre el barro como un rayo desterrado del cielo.

    El militar que parada en una esquina
    sumaba con los dedos los días 
    que le faltaban para ver a su novia
    ahora es un cuerpo desbordado de agua
    que abraza las raíces sueltas de la mañana.

    Mi corazón
    mi corazón rueda por los zaguanes
    como una libra de carne
    cortada sin piedad por la mitad.

    Nadie sabe desde hace cuánto 
    que no se escuchan las risas de las calles
    colarse por los vacíos de la ventana
    para inundar los rincones sombríos de los cuartos
    donde se masturban dos jóvenes entre suspiros entrecortados.

    Nadie sabe desde hace cuánto
    que la voz del vendedor de periódicos
    y el silbido de su bicicleta en las horas naranjas
    no despiertan a los trasnochados que roncan
    y huelen a anís y a mujeres de otras tierras.

    Solo y por casualidad
    pasa un pájaro por todas estas ruinas
    habitada por los rostros de la niebla
    ve los árboles mutilados
    el pasto juagado de rojo 
    como si se hubieran reventado 
    todas las moras de los arbustos
    todos los corazones de las flores
    ve la tierra tapada de cuerpos y despojos 
    y se va para no volver

    como todos los muertos del día
    que han perdido un lugar en el cielo
    porque Dios ya no es capaz de mirarlos a los ojos.



    *



    Se escucha el río 
    suenan las piedras en su interior
    que hablan lenguas insondables. 
    Imagino que los peces descansan
                                y que al lado
    ─detrás de los alambres─
    una vaca cargada de leche 
    espera al siguiente día
    la mano que exprimirá su alma blanca.
    Supongo que a esto llaman noche:
    un mar que cuelga en el aire
    un lobo que me llama desde el vientre
    un enemigo que se camufla 
    detrás de un collar con la foto de su madre
                                 y un amuleto de brujería.
    Alguno de los dos morirá 
    y nadie podrá enterrarnos.
    Para eso estamos hechos ─pienso─
    aunque me gustaría sentarme un rato 
    a lanzar piedras en el río
    meter los pies en el agua 
    y que el frío trepe 
    como un renacuajo por los huesos.
    Sentarme y esperar a que el destino 
    esta noche se haga el desentendido
    el de la vista gorda ─como dicen─
    y olvide por un instante 
    que los hombres nacimos para matarnos.




    *



    Eran las tres de la mañana.
    En Manglar la hora de los muertos
    eran todas las horas.
    Mi madre dormía sola
    ─como siempre─
    en el cuarto de paredes negras
    comidas por el gorgojo
    y los cantos del bosque mutilado
    que entraban sin pedir permiso.
    Mi padre debía ser por esa época
    el corazón negro de un girasol 
    o quizá la rama de un árbol
    sostenida por las raíces
    viejas de la guerra.
    Un perro comenzó a ladrar
    y ya se sabía
    que íbamos a ser nosotros 
    los que tendríamos que escondernos
    y pedirle a Dios que nos cuidara.
    Pero ya estaba la historia del pueblo
    trazada en una cartografía de espinas
    lejos de su alcance
    lejos de su omnipresencia
    lejos de su bondad y su mirada de halcón.
    Y fue así como decidí cubrirme
    detrás de las manos
    detrás de los ojos de pescado
    detrás de la piel de tierra sombría
    como si todavía estuviera jugando 
    con mis hermanos a las escondidas
    mientras esperaba el 1,2,3
    y de seguido mi nombre pronunciado 
    como un largo día de lluvia.





    Poemas de Antes de las palabras

    1

    coser y coser
    día tras día
    la misma herida
    que no para de sangrar


    9

    estar seguro de que no hay nada más en la vida
    que este tren en el filo de la montaña


    10

    escuchar el llamado del agua
    el recital de las olas en su huida

    enroscarse 
    volverse concha

    regresar al naufragio 
    donde nacimos


    23

    a veces uno espera la mañana
    para poder asirse de nuevo a la luz

    sin saber que en ella 
    también vibran los labios oscuros de Dios


    24

    una vela que se extiende en el olvido

    mi nombre junto al canto del fusilamiento


    26

    comienza a dañarse la carne
    un olor a días pasados invade la casa


    se encuentra uno mismo en la herida

    y jura que la vida se hace inhabitable 
    y que descomponerse es el único camino del hombre


    33

    lo mismo que desaparecer
    no ser visto:

    rayo fundido 
    pájaro sin canto

    lo mismo que irse 
    deshacerse en agua 
    huir del rostro:

    verso de plumas 
    amor en fuga

    poema que se levanta y cacarea en la nada


    34

    rehusar 
    migrar del nombre

    abandonar la cartografía 
    de lo que hemos construido con despojos


    40

    ironía del poeta:

    tratar de encontrar a dios
    en el grito invisible de la guerra








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  • 02/15/17--10:47: ANTÔNIO LACARNE [19.947]

  • Antônio LaCarne

    Antônio LaCarne (1983) es un poeta brasileño, autor de Salão Chinês (Patuá, 2014) y Elefante-Rei: Poemas B (CBJE, 2009). Tiene un título en Lenguas de la Universidad Federal de Ceará y escribe en su blog O Impenetrável (oimpenetravel.tumblr.com). Su nuevo libro se puede conseguir en el siguiente enlace: https://revistagueto.com/selo-independente/



    *La traducción de los siguientes poemas fue realizada por el escritor argentino Jan de Jager y revisadas por el autor





    Loop

    estas son las noches que recordamos
    tu colchón inflable
    dando cuenta del cuarto
    y yo recordando cada conversa
    como si el amor allí cerca
    fuese nuestra vida escondida
    pero conducimos en silencio
    por la ciudad tan destruida
    como el corte en el pecho
    que intentamos disfrazar,
    y no sirve de nada,
    no es posible que un rascacielos
    nos defina,
    maría antonieta presa en un cuadro
    y en la gloria que viviste sin mi
    al mentir que el último amor
    fue una herida agradable
    que no lastima
    o cuando entramos en una curva
    encontramos sin querer una respuesta
    y las personas mienten




    Loop

    estas são as noites que lembramos,
    o teu colchão inflável
    tomando conta do quarto
    e eu relembrando cada conversa
    como se o amor ali perto
    fosse nossa vida escondida,
    mas dirigimos em silêncio
    na cidade tão destruída
    quanto o corte no peito
    que tentamos disfarçar,
    e não adianta,
    nem é possível que um arranha-céu
    nos defina,
    maria antonieta presa num quadro
    e na glória que você viveu sem mim
    ao mentir que o último amor
    foi uma ferida agradável
    que não machuca
    ou quando viramos numa curva,
    encontramos uma resposta sem querer
    e as pessoas mentem.





    plástico & blando

    tienes ojos de frankenstein
    perdido en una selva sin verano
    o arena donde me desequilibro
    y construyo mi amor
    a veces plástico, blando, out of control
    ventarrón que me derrumba
    o no sé mi nombre ante ti
    buceador
    100 metros de nado estilo mariposa
    mis manos que tiemblan
    y repiensan cómo construir un arca
    una cama, un diván
    yo me pregunto por dónde anduve
    si el tren en esta estación
    es el más prohibido del mundo
    o si soy una mujer por dentro





    plástico & macio

     você tem olhos de frankenstein
    perdido numa floresta sem verão
    ou areia onde me desequilibro
    e construo meu amor
    às vezes plástico, macio, out of control
    ventania que me derruba
    ou não sei meu nome diante de você
    mergulhador
    100 metros de nado borboleta
    as minhas mãos que tremem
    e repensam como construir uma arca
    uma cama, um divã
    eu me pergunto por onde andei
    se o trem nesta estação
    é o mais proibido do mundo
    ou se sou uma mulher por dentro.





    Los hombres malditos

    sobre todas las cosas los hombres me dejaron sin rostro,
    incluso las mujeres, esas que se repiten antiguas,
    sin mucho esfuerzo,
    pero mi sonrisa envenenada te transportó a un mar distante,
    las perlas en el fondo del océano,
    mi cuerpo en el fondo del océano,
    las palabras que no cruzan paredes,
    o si alguien quisiera, puedo todo a mi propio alcance,
    y si la noche es siempre larga
    danzo veloz con los ojos cerrados para siempre.

    ya no envejezco como de costumbre,
    el teléfono es un enemigo,
    muero de ganas sólo por ver y me encierro en el cuarto,
    ninguna película representa,
    y tú tampoco eres verdad,
    la calma solo corresponde a los comprimidos entre los dedos,
    símbolo de larga duración que no se rasga





    Os homens malditos

    sobre todas as coisas os homens me puseram sem rosto,
    inclusive as mulheres, elas que se repetem antigas,
    sem muito esforço,
    mas o meu sorriso envenenado trouxe você num mar distante,
    as pérolas no fundo do oceano,
    meu corpo no fundo do oceano,
    as palavras que nem cruzam paredes,
    ou se alguém quiser, posso tudo ao meu próprio alcance,
    e se a noite é sempre longa
    danço veloz de olhos fechados para sempre.

    já não envelheço como de costume,
    o telefone é inimigo,
    morro de vontade só por ver e me tranco no quarto,
    nenhum filme representa,
    você também não é verdade,
    calmaria só corresponde aos comprimidos entre os dedos,
    símbolo de longa duração que não se rasga.




    Playa

    Siempre en dirección a esta playa
    pero a contrapelo de mí
    como dijo aquel que no me conoce
    analizando mi diálogo a veces
    literal y seco como quien no insiste
    y ve que la ceniza del cigarrillo
    no es más que un agujero
    tal vez una fuga perdida en otro agujero
    o herida aquí en el cuerpo
    o volcán perdido en los pliegues
    de tus piernas tan lejos
    o la montaña que escalo sin previsión
    aurora boreal, ritmo y masturbación





    Praia

    Sempre na direção desta praia
    mas ao contrário de mim
    como disse aquele que não me conhece
    analisando meu diálogo às vezes
    literal e seco como quem não insiste
    e vê que a cinza do cigarro
    nada mais é que um buraco
    talvez uma fuga perdida em outro buraco
    ou ferida aqui no corpo
    o vulcão perdido nas dobras
    das tuas pernas tão longe
    ou a montanha que escalo sem previsão
    aurora boreal, ritmo e masturbação.



    4 poemas do livro Salão Chinês, de Antônio LaCarne:


    anteprojeto

    primeiro ritual automático do dia: este livro é memória de tom na transversal & babadeiro. ramificação de espécies brandas, sem muito luxo. o vazio de perder ou ganhar ao abrir os olhos, não importa. imitação difícil de quem já foi. rua íngreme, dobrando esquivo ao caminho. cabeça dispersa, também entre as pernas, recordação recortada & anteprojeto.





    boyfriend

    carinho,
    me resgatou do buraco, das barras, das putas mágoas de bêbado apaixonado – sou um bruxo antes dos trinta & não te absolvo por me abandonar antes do segundo beijo, como se eu fosse uma cadela esfomeada, doida por pau, segredo & literatura. 
    penso nos trópicos, na meia dúzia de bananas: um pingo de sensibilidade longe da tua zona de conforto  –  olhar de pantera mascarado por fluxos de escuridão, quando dei adeus às sleeping pills & enchi a cara numa compensação difícil.
    nem porra, nem puta – você criou asas enquanto eu despencava do meu próprio andar de um metro & oitenta, então resolvi escrever um livro sobre a pós-modernidade que oprime, deprime & que não manda flores no dia seguinte.
    amei você quando não havia sol ou pudor. 
    espinhos, cristais escondidos, falésias: coração comparado às andorinhas da paixão universal. 
    mantive os diários sob o poder das gavetas. mutilação das linhas de expressão quando sonhei com o ator pornô húngaro a me livrar da frigidez numa cama chinfrim de motel  pago com o limite do meu cartão de crédito. 
    escolhemos a suíte pole dance com hidro & demarquei cada centímetro com a língua, olhos, nádegas em profusão – depois fui embora com um sorriso de viúva alegre estampado nas fuças.
    o lado b do amor tão obscuro, vendendo meu próprio peixe para que você me ame, ou na pior das hipóteses, desmembrar as vértebras do meu prazer em ambientes dominados por cães na sarjeta & dignidade na estratosfera. 
    mas pago o preço, encaro as duas faces da moeda & planejo cada passo na alcova. 
    os quadriláteros do abandono estão aqui representados, dançamos ao som do jazz diante dos canteiros centrais & das vias expressas não plastificadas.
    resta-me rasgar as tuas pernas, queixo, memória & afeto aos frangalhos: tiro de espingarda no coração. aí o clima esquenta & sou obrigado a me desfazer das histórias onde interpretei megeras, datilógrafas ninfomaníacas, divas abandonadas. 
    me livro do luxo, da intelectualidade & do frio. 
    telefono para dr. salomão que me atende entorpecido de recusa. ele diz que já fomos longe demais no tratamento, não há cura possível. ele então prescreve doses cavalares de um medicamento cujo rótulo exibe fogo ao redor da boca, boca ao redor do fogo. tomo dois comprimidos sem pestanejar. 
    dr. salomão sorri, glamouroso – segurando a bengala importada do egito. 
    como pagamento, ele me estapeia a bunda. 
    & pairo num terceiro andar de um corredor às quatro & trinta & sete no calor insustentável do brasil. 
    (você precisa abrir os olhos).
    mas você me observa reticente & o combustível do momento é o pensamento claustrofóbico & oscilante naquele quarto úmido de motel. 
    pole dance com hidro, lembra?
    as fomes que não se descosturam. 
    busco fôlego para materializar o livro. 
    arbustos, jarros, sombra & coração impecável para as consequências.
    você que me culpa & que não me explora os olhos, os ossos do ofício, os gatos abandonados, o gato por lebre. 
    tudo em vão como um lábio superior desenhado sem esmero na pintura.
    & diante do ex-amante proponho um batuque, um samba, uma pausa na coreografia. tomo mais um gole do perigo que eu mesmo interpretei. 
    da janela, fotografo as luzes esparsas do centro da cidade.
    projeto: obsessão, terror & glória. 
    25 de fevereiro de um ano qualquer:     
    a vida é um fist fucking cravejado de diamantes pontiagudos.




    tigre siberiano

    adolescentes reproduzem meu fio condutor numa vasta cama de plumas & acessórios eróticos onde invisto minha língua sobre a previsão das mentiras para inventar um relato sobre sexo, ejaculações, coxas nuas que sobrepõem meus orifícios mediúnicos durante o coito & suas doses cavalares de memória em quartos escuros vistos sob o espaldar da cama que não range & que não prolifera nossas ardências na noite de frio, rumba, razão mimeografada presa à estante de brinquedos fabricados nos anos 90.
    como se os meus olhos fossem o dorso de um cavalo prestes a mumificar a vida num galope sombrio, relincho tropical no alto da montanha ao invés de reconhecer o grito imaculado do homem que me domina sem o meu consentimento felino, pois quem enumerou os defeitos dos corpos teme o gesto de penetrar ou ser penetrado sem que os inimigos ou amantes sucumbam perante o último orgasmo travestido no sorriso de nossas gengivas, vaginas, líquidos empalidecidos enquanto o dia amanhece & tratamos de nos recompor: livre arbítrio que abre a boca antes que a presa se torne carcaça & eu psicografe o perigo do mundo.




    cowboy

    baby, 
    não era você o moço perdido, vestindo flores, olhar baixo que pedia cigarro aos quem nem sequer te reconheciam? você precisava ver como não fui tolo & dei o primeiro passo na noite, cilada após cilada, romance destruído após romance destruído. os meus amigos  & suas respectivas cadeiras cativas, cada qual com um copo nas mãos, o sorriso que vinha fácil entre tantas modas, tendências, discussões sobre a capa da vogue, kate moss nua, gisele bancando a santa. eu ouvia calado, cutucando quem estivesse mais próximo. o som das trombetas que a gente insistia em dar valor, mas que às 10 da noite tudo era pintado de droga, saliência, esquina do táxi, roupa amarrotada. a valentia de um deus pagão dentro da cueca. 
    24 horas de desejo por você, 
    sem nome, 
    jururu,
    carteira de cigarro vazia,
    isqueiro perdido,
    madrugada & suas garras,
    gente de índole difícil,
    quarentão que não fez nada da vida,
    plebeu desmascarando encrenca,
    uma barra,
    uma superbarra,
    você de quatro,
    eu de bruços,
    o telefone que não tocou pela oitava vez,
    katherine mansfield trancafiada na suíte,
    a inimiga plantando bananeira,
    eu pertinho das bananas,
    borracha para panela de pressão no centro da cidade,
    um cavalo,
    uma dose de balé pendurada no queixo.
    estou transbordando mais uma vez. giancarlo, klauss, todos parecem mortos. cada corpo é uma bituca de cigarro no cinzeiro sujo. seguro a onda como quem surfa com uma perna só, & se alguém diz que é preciso matar um leão por dia, derrubo então o dominó da vida.
    pois se eu pudesse sugar de você esse amor infantil, eu arrancaria as tripas da farsa que me ilude. dr. salomão não me salvaria, pagan poetry não me salvaria, uma floresta encantada não me salvaria, nem os modelos da ford, muito menos você de pau duro ocultando as galáxias.



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    Juan Carlos Quintero Herencia

    Fecha de nacimiento: 1963, Santurce, San Juan, Puerto Rico

    Reside en Maryland desde 2001. Ha publicado los libros de poesía: La caja negra (Editorial Isla Negra 1996) "El hilo para el marisco/Cuaderno de los envíos" (2002), Libro del sigiloso (Terranova Editores, 2012) y El cuerpo del milagro (Bokeh, 2016).

    Esta colección de poemas de juventud recibió el Premio de Poesía del Pen Club de Puerto Rico de ese mismo año. Ha publicado también dos libros de ensayos críticos: "Fulguración del espacio. Letras e imaginario institucional de la Revolución cubana" (2002) y "La máquina de la salsa. Tránsitos del sabor" (2005). Recibió en 2009 la beca John Simon Guggenheim Memorial Foundation para analizar su estudio  titulado "La escucha transeúnte: Poéticas y políticas en el archipiélago caribeño". El manuscrito del "Libro del sigiloso" recibió en 2006 el premio Creative and Performing Arts (CAPA) de la Universidad de Maryland.



    Caballo de Troya

    En las profundidades,
    donde la zanja frente al Morro
    es Medusa negra,
    donde el negro se traga al negro,
    un enorme pez ciego y
    sin escamas
    levanta un arco,
    aleta membranosa
    labia fluorescente

    Perdidos por este fulgor tenue,
    atraídos por la candelilla,
    extendido pene
    prensil carboncillo
    efectivo lazo
    bastón blando nadador,
    arpón escondido que es toda luz,
    pequeños peces en su boca sucumben

    En las profundidades,
    el pez desarruga su órgano,
    lo pasa sereno
    tardo cual melaza
    sobre una escultura que tocada ahora
    echa a la corriente inmóvil su detritus depositado

    De madera desusado
    negro otra vez,
    sepultado hasta las rodillas
    el caballo relincha

    En las profundidades del Atlántico,
    un pez de los mil demonios
    deja caer su sexo basto
    sobre el caballo de Troya

    Descendiente
    tras sus cuartos traseros,
    el pez despeja la cola de una sola mordida,
    el trazo que las ruedas olvidaran sobre la arena
    un oleaje secreto
    de cuando en vez
    la mar de ocasiones
    lo borra y lo escribe,
    avanza retrocediendo

    Es posible imaginar a los aqueos
    suspendidos en aquella marcha,
    sin embargo por allí no se los ve

    ¿Cuál es tu guerra, mijo?
    ¿Qué has hecho para estar aquí sumergido
    y con el mar adentro?
    ¿Quién te imaginará ahora como el golpe sigiloso de la muerte?
    Quién iba a decir que está sería tu mejor batalla,
    cara a cara con tu doble vivo
    bellaco y terso

    En esta lejana balsa,
    tumba abierta,
    náufrago sin isla,
    caballo sin palo,
    sordo sin procesión
    ni a rebato,
    sin bullicio
    el caballo de Troya
    anuncia en la eternidad un paso
    que nunca habrá de dar

    En las profundidades,
    donde la alharaca nunca ha tenido asiento,
    allí: bóveda oscura
    bóveda en la bóveda
    (paréntesis de titanio negro)
    la cabeza los belfos
    el copete las crines
    la tensión hermosa del cuello,
    esperan por siempre lo que ya les pertenece

    El pez auspicioso,
    primero de su estirpe
    aletea violento su velocísima despedida,
    una flecha de sombra oscurece la penumbra

    Bajo el hongo de las arenas alzadas,
    ya sin quites
    sin cuerpo,
    in-proceloso
    un caballo congelado por la tiniebla
    no se cansa de esperar

    1ero de septiembre de 2010, 18-19 de diciembre de 2012, Córdoba, Argentina y Silver Spring





    Siempre Ciempiés

    Enemigo tú: Gongolón,
    cuando de madera acercas
    para que me sirva de asiento
    taimado don escalón

    Capricho el tuyo: Ciempiés
    que malgastas la librea
    cuando ojeroso ante libros
    se te caen los elepés

    En dos patas tambalease Ciempiés,
    -ñángotese- dice raudo Gongolón,
    -leche, arrocito- pide y aúlla Ciempiés

    Nariz que se hunde entre las páginas
    se agarra el bulto,
    el mismísimo se da lengua

    ¡Coño! persistencia tuya: Gongolón,
    bollo comisura y dragoncilla,
    gallerín repesa escudilla,
    nada cabe entre nosotros,
    nada serpea entre bajeles
    echapallá don babeles

    Enemigo tú: Gongolón.

    18- 19 de diciembre de 2012, Silver Spring





    Me tocó vivir

    Me tocó vivir en un puente de arena,
    mi vida es esta meseta tensada por una liana de mangle y
    las manos de mi padre muerto.

    Mi vida tiene la consistencia del miasma,
    la misma duración,
    el mismo descoyuntarse de la era,
    los mismos proyectos
    enrolados con la consistencia del ajonjolí
    y el trombón de Barry Rogers.

    Cuando el puente se eleva
    lo impulsa un tendón traslúcido,
    dardo en metamorfosis,
    su condición granular
    seca o húmeda
    es la misma cosa blanda.

    Quién lo duda
    por doquier maestros, jefes de agencia,
    trabajadores sociales, gestores culturales,
    psiquiatras, alcaldesas
    abogados, poetas, poEGOS,
    neo-patriotas,
    charlatanes
    cínicos vulgares,
    cínicos sofisticados,
    cínicos desempleados,
    desempleados sinceros,
    desempleados cínicos,
    cínicos de closet,
    closet de cínicos,
    profesores sin libros,
    libros sin profesores,
    perros satos,
    perros falderos,
    ¡oh tiradores de droga
    cuánto nos han ayudado!
    un litoral asqueroso
    entusiasmado con el olor de la brea
    todo eso y más
    tenemos.

    Hay incluso un amanecer olvidado
    para siempre por su propia belleza,
    el escándalo de su silencio lleno de luz
    asediado por el ruido de tantos feligreses,
    el silencio vaporoso de las criaturas
    que lo vegetan
    cercado
    por las guturaciones alargadas del sebo de los sexos.

    Aletargado por las sombras que ya trepan
    me subo a los órganos de mis días,
    me toco el cuerpo,
    un montículo de arena y espuma,
    el regazo de mi madre
    apenas.

    En la noche pude enfocarme
    gracias a los aparatos
    a las pantallas
    Nítidas, nitidísimas veloces
    como un parpadeo,
    las quise mucho.
    El puente se sumerge conmigo,
    en su forma mudo el carapacho.

    29 de septiembre y 12 de octubre de 2009, 10 y 30 de marzo de 2014 y 28 de abril de 2015, Silver Spring.






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  • 02/17/17--09:24: ANNA ENQUIST [19.949]

  • Anna Enquist

    Anna Enquist (Ámsterdam, 19 de julio de 1945) es el seudónimo de una de las escritoras más populares neerlandesas, Christa Widlund-Broer. Es conocida sus trabajos de poesía y por sus novelas.

    Nacida en Ámsterdam, estudió piano en la academia de música en La Haya y psicología en la Universidad de Leiden. Sus primeros poemas aparecieron en la revista Maatstaf en 1988 mientras que su primera colección Soldatenliederen se publicó en 1991 mientras estaba trabajando como psicoanalista. A partir de entonces dedicó la mayor parte de su tiempo a la literatura. En poesía, publicó seis colecciones más: Jachtscènes 1992, Een nieuw afscheid 1994, De tweede helft  2000, Hier was vuur 2002, De tussentijd  2004 y Nieuws van nergens  2010. Todos estos poemas han sido publicados en un único volumen Gedichten 1991-2012.

    Los  primeros trabajos de prosa, Het meesterstuk 1995 y Het geheim 1997, son novelas psicológicas en las que la música clásica juega un papel importante. En 2002, llegó a un amplio número de lectores con De ijsdragers que estuvo distribuido como un regalo durante la Semana del Libro en neerlandés del 2002. Su reconocida novela histórica De thuiskomst de 2005, se centra en Elizabeth Batts, la esposa del explorador británico James Cock.


     ESTACIONES

     Después de yacer poseída por el arado
     la tierra yace doblada, huesuda.
     Lo que está muy hondo ha surgido sin resistencia.
     Ninguna piel áspera ha recibido arcilla, huir
     está impedido para quien se abre de esa manera.

     La tierra gime bajo el pasto,
     llorando su añoranza del acero
     -ven el próximo año, regresa-. El tardío sol
     calienta la tierra pólder que sueña aparentemente
     con ser hendida dividida quemada.



     SILENCIADA

     Arraigada más sólidamente que nunca
     en la realidad- Diciembre, en mi bici,
     tormenta alrededor de mi cabeza- compro
     un libro que dice
     cómo el tiempo pierde su dominio.
     Durante meses tomo de la vida
     no más de lo que me pertenece. El autor
     está paralizado y enfermo. Él no puede hablar.
     Oh, nubes cabalgando el viento, oh canto, oh amor.



     SEGURIDAD

     Dondequiera durmiésemos ese verano,
     cada noche la lechuza gritaba
     su boscoso llamado. ¿El mismo?
     ¿Lechuza? - Así es como suena una lechuza
     había dicho alguien, y nosotros
     creímos y recordamos.



     DE REPENTE

     De repente perdí
     el poder de retener
     calor. Ahora que los chicos
     han dejado la casa, resoplé
     ¡sí! Repté bajo 
     aún más frazadas. La estufa
     rugía. El más calentito de nosotros dos
     ya no podía 
     darme calor. Tirité
     y temblé como si estuviese
     cara a cara con la muerte.

     Que era el caso, en realidad. La muerte
     y yo estábamos en un terraplén.
     Entre nosotros no había nada sino
     una considerable distancia.



     JULIO

     Es verano ahora; el jardín
     está lleno de gente muerta de calor; los perros
     están jadeando y las frambuesas
     están grandes como cabezas de duendes.

     La humedad rodea nuestros vidrios:
     se conversa acerca del precio de las bicicletas
     y los pasajes aéreos, y todo el rato
     un campo interminable de hielo se estira dentro mío.



     ESCAPE

     En la jaula del día y de la noche,
     la jaula de los mandados,
     latas de cerveza, el mejor trabajo.

     En la jaula del álbum de fotos,
     del amor. En la jaula del arte,
     en la jaula de saber:

     Levantate, aferrá las barras,
     tomá el máximo de aire y
     rompete el corazón en pedazos.



     ENCOGIMIENTO

     Cómo los días se me escapan, siempre
     uno nuevo sopla contra la ventana.

     Un chico sombrío en la cocina ya no
     come de mis platos. Escasa

     es la vieja vida que se siente como siempre.

     Entretanto mis horas se vuelan; son
     las verdaderas. Lo que golpea contra mi ventana

     es la vida genuina, el presente
     que come, que come de mí.



     INVASIÓN

     En el desnudo rechazo, viento en mi pelo,
     estamos parados y vos mirás. Con todas tus fuerzas
     me mirás, imagen de amor.

     Y yo, entro gateando a través
     de tus ojos llenos de lágrimas, me deslizo por los senderos
                                                                        [de tus nervios,
     salto sobre láminas de mielina, el susurro
     de las sinapsis, el ARN fuerza a las proteínas
     a alinearse en mi imagen:

     soy tallada, cincelada, en tu cerebro
     hasta que mueras, hasta que te mueras.


    FUENTE
    Modern Poetry in Translation. New Series. N° 12. Winter
    1997. Dutch and Flemish Issue.

    Publicado por Robert Rivas
    http://inutilesmisterios.blogspot.com.es/




    VAN HET WATER

    Hij torent hoog boven mij uit, de brug,
    en grijpt met harde vingers in het gras.
    Voertuigen schuiven heen en terug, een kind
    brengt bloemen, de fanfare juicht.

    Ik wacht. Men zal zich naar mij buigen
    krom van waan en klacht en in de golfslag
    troost van honderd moeders horen. Ik ga
    gewillig rond de nieuwe pijlers staan.

    Ik zal nog tegen stenen slaan als deze brug
    is overwoekerd en vergaan. 0 wolkenlucht,
    spiegel u in mijn huid. Ik heb mij laten
    leiden en omspannen en verslaan.



    OF WATER

    Towering tall and over me, the bridge
    grabs into the grass with hard fingers.
    Vehicles slide back and forth, a child
    with flowers, a roaring fanfare.

    I wait. They’ll bow in my direction,
    bent with madness and malady, hearing in the waves’ slap
    comfort from a hundred mothers. I’m willing;
    I take position, surround the new piles.

    When this bridge is overgrown and gone
    I’ll still be beating stones. O cloudy sky,
    see yourself reflected in my flesh. I’ve let myself
    be led, be spanned, be beaten.

    © 1996, Anna Enquist
    From: De tweede helft
    Publisher: De Arbeiderspers, Amsterdam, 2000
    © Translation: 1998, Lloyd Haft




    UIT DELFT

    Als hier licht valt, dan onder loden
    lucht, valse gloed in de namiddag.

    Kon ik de stad innemen, mij stellen
    in de stenen cirkel op de markt, drinkend

    de bloedige schaduw van het stadhuis –
    Laat naar je kijken. Ik bonk op de muren,

    zij verstuiven als ochtendas in de kachel,
    of ik er ben. Uit de grachten rijst

    een wal van zuur water. Hier was het,
    hier zuchtte ik om de polder, viel ik

    tegen ijzig bouwwerk. Hier ruilt men
    de reis tegen een enge thuiskomst.




    FROM DELFT

    If light falls here, it's under a sky
    of lead, false glow, late in the day.

    Wish I could take the city, set myself up
    in the stone circle in the marketplace, and drink

    the blooded shadow of town hall
    Get your head examined. I pound on the walls;

    they go up in dust like ash in a stove in the morning,
    as if I exist. Out of the canals rises

    a wall of caustic water. Here's where it was,
    here's where I sighed for the open polder and fell against

    an icy structure. Here's where you trade the trip
    for the tight home corner.

    © 2000, Anna Enquist
    From: De tweede helft
    Publisher: De Arbeiderspers, Amsterdam, 2000, 9029515120
    © Translation: 1998, Lloyd Haft




    TAMBOER

    We horen hem wel, de tamboer in de verte,
    maar luisteren niet. De maat van zijn stokken
    bepaalt onze stappen. Ook nu. Verwijlen

    wil ik bij een wals van vroeger, een dans,
    kind op de arm. Het spant ondraaglijk
    tussen toen en vandaag. Aan de mars valt niet

    te ontkomen. Woedend doe ik een greep
    in de muziekdoos van het geheugen, waar
    haar te vinden voor ik omval? Maar kijk,

    de trommelaar brengt ons het kleinkind,
    verlokt ons tot een nieuw lied, zadelt ons op
    met de laatste vreugde voor de eindstreep.



    THE DRUM

    We do hear it, the drum in the distance,
    but don’t listen. The rhythm of the sticks
    determines our steps. Even now.

    I want to linger by a waltz from before,
    a dance, a child in my arms. The tension
    between the past and present is unbearable.

    The march is inescapable. Furiously
    I dig into memory’s music box, trying
    to find her before I fall. But look,

    the drummer brings us the grandchild,
    luring us into a new song, saddling us
    with a final joy before the end.

    © 2013, Anna Enquist
    From: Een kooi van klank
    Publisher: Stichting CPNB & Poetry International, Amsterdam, 2013, 9789059651852
    © Translation: 2013, David Colmer




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  • 02/17/17--09:47: HILDA MORLEY [19.950]

  • Hilda Morley

    Hilda Morley. Poeta EE.UU.

    Nacimiento: 19 de sep. de 1916 · Nueva York, Nueva York
    Defunción: 23 de mar. de 1998 · Londres, Inglaterra
    Premios: Beca Guggenheim en Artes Creativas, Estados Unidos y Canadá (1983)
    Educación: Wellesley College · Universidad de Londres

    Selected Bibliography

    A Blessing Outside Us (Pourboire Press, 1976)
    What are Winds & What are Waters (Asphodel Press, 1983)
    To Hold in My Hand: Selected Poems 1955-1983 (Sheep Meadow Press, 1983)
    Cloudless at First (Moyer Bell, 1988)
    The Turning (Asphodel Press, 1998)


    Hilda Morley nació como Hilda Auerbach  en Nueva York, el 19 de setiembre de 1916, de padres rusos, Rachmiel y Sonia. Fue un raro caso de precocidad literaria -llegó a cartearse con Yeats-, ya que salvo Rimbaud y algunas otras excepciones, como dice Steiner muy atinadamente, la precocidadgenial sólo se da en tres disciplinas: el ajedrez, la música y las matemáticas. Las tres muy relacionadas entre sí.

    Se mudó con su familia a Palestina a los 15 y luego a Londres, para ingresar a la Universidad (a los 18). Allí se casó: un matrimonio que no duró mucho. En el año 1940 se traslada a Estados Unidos, por los bombardeos alemanes sobre Gran Bretaña. Se casa con Eugene Morley, un pintor relativamente conocido y se vincula con Pollock, Kline, etc.

    Años después, viviendo otra vez en Londres, se casa con el compositor alemán Stefan Wolfe, que poco después dictará clases en la renovadora Universidad Black Mountain,  situada en Carolina del Norte. Recién a los 60 años de edad publica su primer libro de poemas. Desde entonces ha obtenido un enorme reconocimiento, entre otros de Robert Creeley. Dijo de sí misma: "He escrito poesía desde los 9 años (un tiempo largo, que)... Mis poemas aparecieron en algunas publicaciones. Me encanta leer en voz alta y hacer amigos (fans) de esa manera. Estuve casada con el ya fallecido Stefan Wolpe y tal vez he sido influida por él; esto es, para continuar trabajando a pesar del dolor y salvarse una misma de este modo".


     ARROYO EN NEW HAMPSHIRE

     ¡Santo Cielo! helechos en el arroyo     Ofelia
     uno piensa en ella
                                  ya que hay 
     espíritus en el agua
                                  así como hay
     piedras brillantes
     en la claridad de este arroyo.
                                 ¿Cuál Ofelia
     es?
          La luz del sol
     sobre los guijarros
               un temblor de
     sombra      esas pequeñas
     contracorrientes
     las cascadas también     los más profundos 
     lugares
                 (uno podría bañarse acá
     hacer de este un arroyo para
     vivir
           no para morir en él)



     (COMIENZO)

     Comienzo a amar la belleza 
     de los viejos más que la belleza de
     los jóvenes - la anciana mujer escudando 
     su rostro del ardiente sol con un abanico
     de encaje negro y el exquisito
     anciano con la barba blanca y el viejo que empuja
     el coche de un hombre joven que está muriendo
     de distrofia y la
     mujer entrada en años que sostiene la mano de un niño
     pequeño con un guardapolvo damasco



      POR SAFO

                                   Ni la miel ni
     la abeja, dijo ella,
                                   tampoco la miel...
     y yo vago con ella acá en estos peñascos de roca,
     laderas de colinas rocosas como los peñascos de Lesbos,     
                                     si fuese en su nombre, Faon,
     que ella se arrojara en el océano
     púrpura, por falta de su amor, por falta de él, se lanzara
                                                                           [de cabeza
     en el agua oscureciente, yo en tu nombre viviría siempre
     aún en el borde de estos senderos de roca,
     desplumando el seco romero, la adelfa silvestre,
     consciente del súbito abismo y gateando
     ligeramente sobre él.
                 Espero no partir nunca del país
     de tu voz.
          Puedo vivir acá sobre los mínimos 
     pastos, los  medio húmedos 
     guijarros, puedo florecer acá
     y crecer más fuerte,
                             como esta
     salamandra que emerge
     al sol por un momento y se hace
     la muerta si pasa un extraño, pareciendo
     escabullirse en busca de refugio entre el
     suelo recién volteado y las simples
     caras de la roca



     (AHÍ ESTÁ EL CAMELLO)

     Ahí está el camello
     cuya cara no había notado 
     antes
          pensando en
     una manera delicada
           sin ninguna
     auto-compasión
              con una real
     paciencia
            Sus pensamientos se refieren a
     el espesor del aire
     a su alrededor     sea en
     sequía o lluvia
              una expansión de
     la luz

    FUENTE

    New Directions. An International Anthology of Prose& Poetry. # 27. New Directions, 1973.

    Publicado por Robert Rivas 
    http://inutilesmisterios.blogspot.com.es/


    New York Subway

    The beauty of people in the subway
    that evening, Saturday, holding the door for whoever
    was slower or
    left behind
                       (even with 
                       all that Saturday-night
                       excitement)
    & the high-school boys from Queens, boasting,
    joking together
    proudly in their expectations
    & power,       young frolicsome
    bulls,
              & the three office-girls
    each strangely beautiful,             the Indian
    with dark skin & the girl with her haircut
    very short and fringed, like Joan
    at the stake,             the corners
    of her mouth laughing
                                     & the black girl delicate
    as a doe, dark-brown in pale-brown clothes
    & the tall woman in a long caftan, the other day,
    serene & serious        & the Puerto Rican
    holding the door for more than 3 minutes for
    the feeble, crippled, hunched little man who
    could not raise his head, 
                                          whose hand I held, to
    help him into the subway-car—
                                                        so we were
    joined in helping him               & someone,
    seeing us, gives up his seat, 
                                                 learning
    from us what we had learned from each other.

    "New York Subway" by Hilda Morley, from To Hold My Hand: Selected Poems 1955-1983. © The Sheep Meadow Press, 1983. 



    And I in My Bed Again

    Last night
                       tossed in
    my bed
                      the sound of the rain turned me
    around,
                   a leaf
    in a dried gully
                            from side to
    side,
              the sound of the rain took me
    apart,      opened to             what is it?
    breath caught in memory of
    a deep sweetness
                                 that sound
                                 unceasing
    delicate,             the wetness running
    through my body
                               It might be nighttime
                               in a forest hut,
    the rain constant
                              in little rivulets
    splashing,
                           at times uncertain—

    safe in each other’s arms,
                                           the rain sheltering
    us       a depth opening
    bottomless to a terrible sweetness,
                                                 the small rain
    shaking us in our bed
                                             (the terror)
    whispering
                            End of a season,
                            wind from the west

    From To Hold in My Hand: Selected Poems, 1955-1983 (Sheep Meadow Press, 1983). Copyright © 1983 by Hilda Morley.



    Hanukkah 

    This season for us, the Jews— 
    a season of candles,
                                          one more 
    on the seven-branched candlestick for 
    the seven days of the week,
                                                      but let it be seven 
    in the sense of luck in dice,
                                              seven of the stars in 
    the constellations:
                                      Orion, Aldebaran in the sky
                                                                                         lively
    over Jerusalem
                                   Let the fuel 
    last the besieged       such as we are,
                                                                 to nourish
    us.
            Let the oil continue 
    for heat, for illumination,
                                                    flame crouching 
    in the lamp,
                          the glass smoky
                                                       (December upon us) 
    the light not fail.
                                   The air has been mild 
    for days—
                      & the 7 rings through my life 
    despite the 8 of this week—
                                                         bushes 
    in the doorway of 7 Charles where I lived, 51, 
    crackle with dryness,
                                             are bare still. 
    That house with the lucky 
    number brought me luck & misluck, both,
                                                                            like the other
    that added to 7, out of 4 & 3,
                                                        that seven 
    underlying the eight of this week, 
    the 8 just over, the 7 just under 
    a third of the years with Stefan:
                                                              I praise them
    both today—
                            the lasting oil 
    in the seven-branched candlestick:
                                                                    absence 
    of all fear—the smallest 
    drop of fuel enough to leap from. 
    new york, 1973

    Hilda Morley, "Hanukkah " from To Hold in My Hand: Selected Poems, 1955-1983. Copyright © 1983 by Hilda Morley.  


    That Bright Grey Eye 

    The grey sky, lighter & darker 
    greys,
                lights between & delicate 
                lavenders also 
    blue-greys in smaller strokes,
                                                          & swashes 
    of mauve-grey on the Hudson—
                                                               openings 
    of light to the blue oblong 
    off-center
                       where the door to the warehouse 
    shows—
                    the larger smearings darkening
                                                                              deep 
    into blues
                                 So alight that sky, 
                                 late August, 
    early evening,
                                 I had to 
    gasp at it,
                       stand there hardly moving 
    to breathe it,       using 
    whatever my body gave me,
                                                        at 
    that moment       attending to it, 
    thinking:
                      Turner, he should have 
    seen it,
                  he would have given it 
    back to us,
                         not let it die away
                                                                           And that other 
    evening, walking down Bank Street from marketing,
    the sky fiery over the river,
                                                      luminous but 
    hot in its flowering also,
                                                  rich in color 
    as Venice seen by Guardi—more aflame even, 
    the sky moving in a pulse,
                                                    its fire breathing 
    in a pulse verging on danger—mane of a lioness 
    affronted.
                             That brilliance—the eye of the lion 
    filled to the lids with 
    flame
                      And his eyes, Turner's, that bright grey eye 
    at seventy-six,
                               "brilliant as 
    the eye of a child"
                                     who grew his thumbnail 
    in the shape of an eagle's claw,
                                                              the better 
    to use it in painting
                                         In Kirby Lonsdale, Yorkshire, 
    where Turner first drew mountain-landscapes, 
                                          I found Blake's Marriage 
    of Heaven and Hell—sold for two guineas, 1821 
    & Turner aged 46 that year
                                                      & there I read: 
    "And when thou seest 
    an Eagle, thou seest a portion of genius.
                                                                             Lift up 
    thy head," says Blake.
                                            These afternoons now, 
                                             late in September, 76, 
    the sky, the river are lit up
    at the end of Bank Street, at Bethune.
                                                                         The pavement 
    trembles with light pouring 
    upon it
                   We are held in it. 
    We smile.
                       I hold my breath to see if 
    the cashier in the supermarket 
    will be gentle with the old lady who cannot 
    read the price-tag on 
    a loaf of bread.
                                Then I breathe freely, 
    for yes, she is helpful, yes, she is 
    kind.
                       Outside on 
    the pavement, the light pouring itself away 
    is the light in the eagle's 
    eye        (or the eye of 
    a child)
                                  (I saw it in a man's eye once: 
                                  but he's dead now more than 
                                  four years) 
    Drawing heat out of 
    surfaces,
                          the light is 
    without calculation,
                                        is a munificence now, 
    is justified.

    new york, 1977

    Hilda Morley, "That Bright Grey Eye " from To Hold in My Hand: Selected Poems, 1955-1983. Copyright © 1983 by Hilda Morley.  




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  • 02/20/17--00:54: ANDRÉS HERMANN A. [19.951]

  • HERMANN A.

    Andres Hermann A. (Quito, Ecuador  1983) Poeta, ensayista y catedrático universitario. Realizo sus estudios en comunicación social, posee algunos postgrados en el campo de la educación y nuevas tecnologías. Tiene formación de doctorado en educación y gestión del cocimiento, estudiaos realizados en Ecuador, Argentina y España.

    Ha sido profesor en algunas universidades del país y extranjeras, y escrito varios artículos académicos. Es articulista y parte de la revista SOPHIA de Abya – Ayala.

    Actualmente es catedrático en la Universidad Nacional de Educación y profesor invitado en los post grados de la Universidad Andina Simón Bolívar. “De la levedad” es su primer libro.




    De la levedad, en los tiempos de Andrés Hermann

    Recorro los versos de Andrés Hermann, avenida de grafías transmutando del fuego poético al crisol existencial que la humanidad ha buscado desde el principio de su memoria. Su Ópera Prima parte de la levedad en la deconstrucción del amor, el erotismo y los demonios internos, en la no entendida tarea de ponerle nuevos nombres a las cosas. Quizá hay mucho más en la poesía, en su capacidad de signar, de dar calor, de dejarnos temblando e indefensos en los dos ritos fundamentales de su existencia: Crear, que es dejar una impronta del mismo dolor que todos sienten, vencer la levedad que cuestiona a todo autor que la busque con honestidad; y, el ceremonial maravilloso, leerla, adivinar el desgarramiento o la felicidad que la hicieron susurro sobre el tiempo y la tierra.

    Hermann inicia el texto con un título escondido en las dialécticas filosóficas de los ancestros de Occidente. ‘Anamnesis’ plantea la hipótesis de que es irrenunciable volver al pasado para enfrentar y sobrevivir a un presente-futuro donde lo efímero se vuelve tan común que asusta. El poeta lo sabe y en su primer ensayo público se resiste, marca las pistas de un ser que está dispuesto a sobrevivir en el oficio de escribir.

    A partir de la primera declaratoria, las palabras son arrastradas con ternura, en unos casos, y con violencia, en otros, a la furia del amor, al manto doloroso de la carne próxima lloviendo dentro y fuera del ser, cruces donde cada caricia tiene su propio calvario, como las que se siembran en una mujer muerta que se la disputa al barquero del tártaro, Caronte. Siento la muerte como una tormenta, en la que también ha naufragado en su breve existencia, quien hoy pretende ungirse como poeta. Es necesario decir que en ninguna manifestación creativa de la humanidad ha sido posible trascender sin el dolor y la muerte como mazo y cincel del alma humana, en medio de ellas el eros como bálsamo o como horca, porque a veces flotamos en el cuerpo del ser amado o veces morimos en él.

    La lectura me va llevando a un destino que si bien no siempre logra el equilibrio en el pulimento de la obra, da claras señas de un obrero que si persiste en sus esfuerzos será capaz de levantar catedrales, tal vez como aquellas de la edad media que perviven con un espectro de misterio, contando historias que no siempre llegan al mismo final. Andrés, hoy oficiamos en la iniciación de tu ser poeta. Lo hacemos en la seguridad de que en ti hay la metáfora que hace del hombre poeta y del poeta esperanza.

    Gabriel Cisneros Abedrabbo




    Es en la nostalgia

    Es en la nostalgia
    que pude hallarte.

    Que logré ser feliz.

    Que supe asilarme en tu mirada.

    Que sintiéndome muerto
    regresé por ti.

    Que comprendí tu ausencia.

    Que descubrí que amaba mi soledad.

    Que hallé la trascendencia.
    que sin buscarte te encontré.



    He contado a las estrellas de nuestro querer

    Me duele la vida
    necesito embriagarme en ti
    recorrer con mi lengua tu cuerpo.

    Invoco a mi dolor
    tu silencio me rompe
    fragmenta mi corazón.



    Detengo el tiempo y acaricio la soledad

    Hay un pájaro azul en mi corazón
    que quiere salir pero soy duro con él
    le digo quédate ahí, no voy a permitir
    que nadie te vea.
    Charles Bukowski


    Por un momento me detengo en el tiempo:
    miro a mi alrededor
    la gente apresura el paso,
    no se detiene.

    Sumido en la rutina
    me pregunto:
    ¿A dónde irán aquellas personas?
    ¿A sus hogares?
    ¿A los burdeles?
    o ¿al encuentro con sus amantes?

    Me siento más solo
    abrazo el vacío
    acaricio la soledad.

    Siento el deseo
    de asilar la agonía del tiempo.



    Sentidos

    Llegaste
    entre incertidumbres,
    para trastocar el significado
    que tenía mi existencia.

    Llegaste para cambiar el sentido
    de mis utopías y mis luchas.



    Entre lo corpóreo y lo espiritual

    ¿Dónde el sentido?
    ¿Dónde reside el límite
    entre lo corpóreo y lo espiritual?
    ¿Amor o levedad?



    Anamnesis

    Sumido en la nostalgia,
    preso de mis miedos
    ahogado en la angustia.

    Impotente de
    no poder redimir
    el daño causado.

    quiero que sepas
    que son tuyos mis besos.



    La dame qui vient de mes rêves

    Tú que como cuchillada
    entraste a mi triste corazón.
    Charles Baudelaire

    La que un día fue mía
    acaba de partir a su encuentro con Caronte.

    Rezo una letanía
    para que ilumine el tránsito de su alma.

    Despojo sus prendas
    para profanar su libido inerte.

    En un acto resucital
    se aferra a mi sexo intenso,
    siento el sopor de su cuerpo
    que moja mi deseo.

    Vigoroso entro en su pubis
    mordisqueo sus frágiles senos,
    bebo la sangre que emerge de sus poros.

    Me despierto agitado
    Afuera la lluvia cobija
    aquel manto oscuro que es la noche.




    De la levedad

    Tu cuerpo pecaminoso se proyecta
    ante el cristal de mis ojos.

    Irrumpes mi lapso etéreo
    tus manos se internan en cada uno de mis poros.

    Tu respiración
    se confunde con mi aliento agitado.

    Nuestros cuerpos
    conciben una sola unidad
    la lluvia cae y armoniza,
    el deseo se evapora entre lo efímero
    y lo complaciente.

    El goce de tu libido
    ha dejado de ser solamente placentero.

    Busco asilo en tu mirada.



    Sólo queda el aroma a tu recuerdo

    A papá

    Viña ciudad de mar
    olor a marisco añejo,
    arena la nieve que cubre la cordillera.

    Costa apoteósica
    la brisa había acariciado tu rostro
    la tibia espuma del mar humedeció tus pies.

    Exilio, desarraigo, nostalgia
    la tiranía arrancó tu tierra
    obligó a internarte en la sierra

    La voz de la quinta región se apagó
    el mar y las montañas,
    testigos del ser humano,
    a la estrella solitaria amó.




    Luciana

    Las estrellas no temen
    parecer luciérnagas.
    Rabindranath Tagore

    Hace tiempo que no logro hallar camino,
    La noche me acoge, elevo una oración
    que retribuya el milagro.

    Luciana
    primera luz de la mañana
    las estrellas no temen parecer luciérnagas.






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  • 02/20/17--01:14: MERCEDES ALVARADO [19.952]

  • MERCEDES ALVARADO

    Mercedes Alvarado (Ciudad de México, 1984). Es autora del poemario Apuntes de algún tiempo (Verso Destierro, 2013) y Cuerpos Ajenos (Ed. Factor 22, 2006). Parte de su trabajo se ha publicado en revistas y periódicos en México, Portugal y Noruega. Fue reconocida con la Mención Honorífica en los XXXVI Juegos Florales Margarito Sández Villarino de Los Cabos (2008).



    Chamberí

    I

    A veces una vuelve
    y la ciudad es un montón de calles de gente adulta de edificios.

    Hay en cambio ciudades – hombre
    plazas que nos detienen
    fuera de lo que somos
    en un tiempo que huele todavía a regalices.

    Miro cien veces a mi abuela en cada mujer con mascada.
    No soy la niña que brinca pero las palomas son las mismas.

    La memoria es esto: un silencio
    en medio de la ciudad que no se avejenta.
    Madrid es el tirón sobre la piel que nos deja el invierno.


    II

    El latir de la ciudad son mis pasos
    porque voy sobre ella como quien no se fue
    porque la miro como quien camina, sí
    hacia dentro
    más allá
    del metro, los cables, los sótanos
    más allá
    de la historia que nos ocurrió
    cuando eran sus callen quienes nos habitaban
    más allá
    de cuando infancia no era palabra siquiera
    (porque el infante no sabe de la infancia,
    ese páramo que luego
    nos venden cual promesa vencida
    sin política de cambios ni devoluciones)
    más allá
    pero mucho, muchísimo más allá
    de lo que puede decir cualquier poeta.





    Memoria de las caídas

    (Fragmentos)

    Y no era yo
    ni mi sombra
    ni mi luz
    ni mi noche.
    No eran mis ojos sangrantes
    en el dibujo.
    No era grava encarnada.

    Esa memoria de lápiz
    nunca coloreó mis formas.

    No era la mancha
    no el papel carcomido.
    No era yo

    ni mi sombra
     era una copia de mi cuerpo
    en otra historia.


    *


    Esta niña duerme con un reloj ruidoso
    y despierta pensando que la luz
    no alcanza motivos para despertar.

    He sido pasos de mujer
    corriendo
    hasta hacer de la voz un muro
    luego fui quien salvó
    en el miedo por conocer
    una calma nunca vista.

    Entonces volví a quien había sido
    al tiempo en que perdí el tiempo.


    *



    Los escalones del puente que subo
    huyendo a casa por la noche
    son los únicos que saben los horarios
    de los amantes que no pasan por ellos.

    La sombra de una mujer que no soy
    se hace una luz que hiere
    en cada paso más dentro.
    Sin que la mano llegue a ellas,
    miro las piedras de mí.

    Me falta un rincón donde el mundo vea
    una intimidad no conocida
    la palabra que se sabe
    intuida                       fatal                risueña;
    una niña qué cuidar cuando se oculta.





    Las baldosas están cubiertas
    y los tejados
    los quicios de las ventanas
    el copete de los arbustos
    la escalera hacia la biblioteca
    las bancas del parque
    las bicicletas en el patio
    los árboles
    las calles que dan al puerto
    las casetas en las paradas del bus
     el punto de espera en el muelle

    la ciudad entera es una sola capa
    antes de los peatones.





    Lamento por la vida de David

    No voy a llorar tu muerte, David,
    porque nadie me la ha dicho.
    No voy a llorar tus pasos en el desierto
    (ésos que fuimos buscando
    de casa en casa)
    ni tu piel
    bajo la península
    ni tu falta de todo
                 excepto de ti.

    No voy a llorar, David, aunque estés
    en el silencio que se adueña de cada mesa
    en la angustia que nos hacemos al nombrarte.
    (sobre todo cuando tu nombre se nos ausenta
    en presente)

    Te fuiste, David, con la noche.
    Es que todos nos vamos solos porque
    es imposible
    estarse yendo acompañados.
    Pero te fuiste, sin querer huir
    sin ningún sitio
    del cual irte, sin ninguna cosa
    de la que despojarte, sin exilio
    que te cobije
    de esa distancia tuya.

    Instalado en un sillón de la sala, este duelo
    como visita que no se marcha,
    nos mira a todas horas.
    Te vamos callando
    cada vez que falta tu voz
    tu sentencia
    tu inexacta acusación al mundo.

    No voy a llorar tu andar, David,
    ni la quietud constante de la incertidumbre.
    No voy a decir que no vuelves
    no voy a olvidar la palabra     TODAVÍA
    para acompañar tu nombre
    cada vez,
    todas las veces que alguien pregunta.


    II

    Ayer pasó un hombre por la puerta de casa
    descalzo
    con la mirada de los que sólo saben a dónde no van
    y las manos llenas de tierra.
    Tenía los ojos manchados, también.
    Es que los hombres pierden algo con la memoria
    cuando se quedan en ese paraíso de la deriva
    y se les hace en la mirada un huequito
    por el que esperan que les entre algún retorno.

    A veces me pregunto a solas
    luego de ver tanta tierra,
    tanto cerro
    erizo y seco
    tantos arbustos
    desperdigados
    tanta carretera
    tanto mar;
    luego de tantas noches
    de tanta hambre
    de tanto hablar contigo
    -si es que te hablas todavía-,
    cómo vas a encontrar el tiempo
    para volver.

    Has de tener en los ojos el mismo huequito
    del hombre que caminaba por la banqueta
    cuidándote
    para que nadie irrumpa tu camino.


    III

    No sé si sepas que los días siguen pasando
    que se nos han acumulado los minutos
    que tus hijos van creciendo
    y a tu mujer se le hace honda la mirada.

    Has de haber recolectado historias
    -también tú-
    de ésas que se quieren contar un día
    -sin urgencia -
    cuando la gente pregunta qué ha sido.

    Es que el tiempo se hace
    entre nosotros
    como un muro al nombrarte:

    David.


    IV

    No te pido que vuelvas
    -a quién se le ocurre que volver
    es un acto posible –;
    no se puede andar sobre uno mismo
    si acaso dejar
    la sal
    en el camino
    para que el hueco propio
    nos hable de algún tiempo.

    Por eso, David, no creas
    que volver es una forma de hallarnos.
    Ya nadie es: dejamos de sernos
    tan pronto íbamos sucediendo.

    Sobre todo ahora, que las fiestas
    se llenaron de juegos infantiles
    y las noches parecen acortarse.
    Ahora, que el mundo  baila
    cada cinco o seis días
    y las mareas siguen llegando temprano.

    Todavía no aprendo la guitarra.
    Tu padre sigue hablando fuerte.
    Mikael no ha dejado de comer.

    Pero no, David, no trates de volver:
    no estamos en quienes fuimos.


    V

    Esto no tiene nada qué ver con la espera
    -ridícula –
    de verte venir
    -sobre tus pasos –
    por el mismo camino

    porque             TODAVÍA

    (todavía,
    todavía,
    todavía)

    nos queda muy grande el hueco
    para que seas memoria.






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  • 02/20/17--01:33: TALI WEISS [19.953]

  • TALI WEISS

    Tali Weiss, poeta israelí, profesora de Escritura Creativa y editora de libros. Master (M.A) en Escritura Creativa del departamento de literatura en la Universidad de Haifa. Ha publicado sus poemas en varias revistas israelíes. Publicó cuatro libros de poesía: "Siam" (1997), "Poemas tranquilos" (2010),  "Como una pluma" (2013) y "El ombligo de la noche" (2015). Es miembro de la Asociación de Escritores de hebreo en Israel.

    Educación:

    1998-2001: Licenciada en Comunicación y Gestión, de la Facultad de Administración en Tel Aviv, Israel.
    2006-2008: Máster en Escritura Creativa, del Departamento de Literatura de la Universidad de Haifa, Israel.
    2010: Curso de La Escritura de Guiones en la Academia de Cine y Televisión "Exposición" en la Universidad Abierta de Israel.

    Los poemas de Tali Weiss han sido publicados en revistas literarias:

    "Resonancias"– en el mes de marzo de 2016. Dichos poemas han tenido muy buenas críticas del editor Héctor Loaiza.
    "Revista Almiar"– en el mes de octubre de 2016.
    "MONOLITO – Revista de Literatura y Arte"– en el mes de noviembre de 2016.



    Poemas de la poeta israelí Tali Weiss traducidos del hebreo al español por la propia autora.



    La mano de la lengua 

    Con precaución toco la pólvora
    de las palabras que aún no nos atrevimos a decir
    un océano de secretos escondidos.
    Una vez la membrana
    de los silencios cálidos se agrietó
    cuando tus ojos brillaron detrás de las gafas
    de soledad y me diste tu mano
    para tomar mi mano.
    De las palabras que entonces elegimos
    de la canasta de nuestra día
    unas palomas recogieron en su ruta hacia la libertad.
    Toco en la pólvora
    y el calor de las palabras escondidas
    lagrimea de mi lengua con precaución
    hacia la página fría.





    Los extremos rotos

    Este estaba siempre ahí
    nuestra fotografía de hace siete años
    oculta dolor de cinco
    y evitaba la mirada
    que toca adentro
    y me conformaba con una limpieza rápida
    del polvo de los extremos rotos.
    Para el observador
    Esto es visto bastante inocente.



    *


    Las extrañezas para ti son como las nubes pasajeras
    que están cambiando sus formas y se disipan lentamente.
    El pájaro que divide el corazón de la nube
    no sabrá que está pasando sobre el mar del dolor.
    Cada vez que el pájaro de mi alma te llama
    una nube de Consuelo está pasando sobre mi
    y me envuelve con las gotas transparentes
    del amor.
    El cielo, gracias a mis extrañezas,
    es tierno y tolerante conmigo.





    La lengua de las personas solas 

    Misteriosa como un pájaro del desierto
    confiada como un gato de casa
    burlada como el sol en un día frío
    es la lengua de las personas solas.
    A veces ella es valiente como alpinista
    y a veces se desploma como una hoja esparcida
    pero siempre cruza fronteras y días
    envuelta con silencio.

    Cuando le hablé
    descubrí dentro de mi un amor
    pero nadie
    lo escuchó.




    EN UN UNIVERSO PARALELO

    En un universo paralelo descubrimos la ternura
    y la sensualidad maravillosa en el tiempo que se detuvo
    al pasar por nosotros
    cuando volamos por las ondas aéreas del amor
    y nos olvidamos
    del mundo solitario
    donde vivimos en silencio.




    AL TÉRMINO DEL MUNDO

    Un ser humano puede ser solitario y ahogarse
    en la multitud, en la plétora de palabras vacías
    al término del mundo
    entre los idiomas difíciles
    y enredados, entre las personas
    casi felices
    casi tocando
    un manojo de pensamientos aislados
    claman la comprensión
    el significado
    como no hay aire para la respiración
    cuando la línea de luz desaparecerá
    así un ser humano podrá ser solitario
    y ahogarse
    dentro de sí mismo
    al término del mundo.




    LOS OSOS

    Dentro de tu cuerpo se esconde un oso grande.
    En las noches calurosas el oso sale de tu cuerpo
    y me visita.
    Cuando el oso vuelva a tu cuerpo
    te despertarás
    con algo de mi bajo tu piel.
    Esta noche soñé que
    brotaba de mí una osa grande
    que estaba enojada
    su rugido era espantoso
    y no podía detenerla.
    Y cuando ella volvió con su sacrificio
    comprendí
    que otra vez no saborearé la miel.




    EL APUÑALAMIENTO

    Yo era una maniquí perfecta
    Todas las vestimentas que me ponían,
    eran adquiridas inmediatamente
    nunca me quejaba de los pinchazos
    de los alfileres en mi piel.
    Pero las otras maniquíes me envidiaban
    y me golpeaban con furia
    hasta que mi vestido se desintegrara
    todas mis partes se desarmaran
    y fui tirada a un rincón oscuro.
    Y yo, con mi deseo obstinado de vivir
    limpié los restos de la vergüenza
    encerré en una caja
    mi sueño de ser maniquí
    y me puse a escribir poemas.




    COMO NERUDA

    Háblame en español
    con pasión
    como Neruda
    hasta que me olvide de mis amarguras del lenguaje corporal
    e irrumpirá dentro de mí la bailarina de flamenco
    a la pista de baile
    entre tus brazos apasionados.
    Háblale en español
    hasta que ella se quite
    su vestido de muselina
    y las flores rojas de su cabello
    se desparramen por todas partes con deseo.
    Sé generoso con tú lengua
    como Neruda,
    ¡ámame en español!




    TODAS LAS COSAS

    Todas las cosas que no podía cumplir con éxito
    todos los sueños que no soñaba
    todos los dolores que no sentía
    todas las sonrisas que no me sonreían
    y todas las vidas que no estaba viviendo
    hoy me guiñaron por las pantallas alejadas.
    Qué raro, como si debajo de mi nariz irrumpiera
    la lava hirviente de los sentimientos
    cuando yo sigo el revoloteo de las alas de una mariposa
    en el dorso de mi mano.




    YO ESCRIBO

    Yo escribo palabras suprimidas
    por la distancia que hay entre tú y yo
    y el amor que sentía por ti.
    Y no hay emoción que no haya escrito
    para consolarme con las palabras.
    Pero ellas están volando
    dejando versos vacíos de contenido
    y es intenso el deseo de oír tu voz.
    Yo escribo para escuchar
    el sonido de la partida
    de las palabras,
    como una propagación de mi ser en el mundo.




    EL OMBLIGO DE LA NOCHE

    ¿Qué haces
    en las altas horas de la noche
    cuando el viento silba temores profundos dentro de ti?
    Yo repito
    este temporal
    escucho jazz fogoso afroamericano
    de Miles Davis
    bebo con fruición la última gota
    de Martini Tonic con limón
    aspiro oscuridad.
    En las calles se oyen ruidos de soledad
    la noche no desaparece con la primera luz
    solo está cambiando de lugar
    como en los sueños. Como en el amor.






    Te construyo universos
    Para que tú tengas adonde escapar
    cuando tu corazón está pesado sobre este mundo.
    Me preocupo por alfombrarlos con unas estalactitas hermosas  
    de felicidad,
    donde todo está permitido, todo está iluminado,
    también el deseo más profundo
    se realiza él mismo.
    Si me necesitaras
    me encontrarás en la habitación de trabajo
    movilizo fuerzas de las estrellas.
    En la vía láctea de mi amor
    te construyo universos.




    El pensamiento

    Si tú pensaras en mí
    un pomelo se caería sobre las hojas murmullando en el patio
    un temblor pequeño se extendería en mi cuerpo
    y una brisa placentera movería la cortina de mi habitación.
    De repente aparecerías delante de mí con un destello de voz y vista
    y yo me sonreiría y volvería
    al silencio de mi día.




    Un pájaro herido 

    Pájaro herido, cuéntame
    cómo llevas tú el peso de las nostalgias del cielo
    cómo tu conjunto desde el final del mundo se está juntando
    como un abrazo
    y de dónde brota tu gorjeo compasivo, a pesar de tu herida.
    Enséñame pájaro herido
    a ubicar
    una semilla de la luz en los fondos de la tierra,
    a consolarme de la nada.





    El amor estuvo en quiebra

    El amor estuvo en quiebra
    y me abandonó desnuda
    tengo en mi mano un papel arrugado por demasiado silencio
    alrededor de mí, los ventanales quebrados,
    el recordatorio para el caos del corazón.
    El amor no me necesita más
    y es bueno así,
    yo me desperté.





    La sensibilidad 

    Las personas sensibles se emocionan con la compañía de otras
    personas.
    Las palabras tiemblan
    en el aire de la habitación.
    Las personas sensibles se identifican con cáscaras de otros
    aun en la oscuridad,
    en silencio.
    Con una mano delicada les tejen un velo de luz melancólica.






    Este fue un abrazo oculto del secreto
    que todavía no descubriste
    y esta fue la mirada que se cruzó con mi mirada
    que creó la luz grande entre nosotros
    parece que no hay en el mundo nada más que nosotros
    estamos vinculados al amor temporal
    que está trepando hacia la nube pasajera
    y acariciando la estrella solitaria.
    Ambos en un calor del cuerpo compartido
    por un momento estamos mordiendo del fruto dulzón
    que está dejando en nuestras bocas el sabor del
    recuerdo de nuestra juventud perdida.




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    Odymar Varela Barraza

    Odymar Varela Barraza (Barranquilla, Colombia, 1967) es poeta y escritor colombiano.

    Nacido en 1967 en Barranquilla (Atlántico), Varela Barraza egresado del Colegio Americano y de la Universidad del Atlántico,sus textos han sido incluidos en diversas antologías impresas y digitales, Sus poemas se han publicado en diversos periódicos y revistas, ha participado en encuentros literarios nacionales e internacionales.

    En 2010 publica su primer libro de poesía El alma al orden de corte más clásico y lírico. Tras años de silencio y un largo periodo de vivencias y realidades poéticas, de todo ese materia sale su libro El sueño de existir, en el que advierte bucea en la condición cósmica del hombre. Su tercer libro de poesía, La eternidad de momentos ínfimos, revela demasiado pronto que los laberintos no tienen salida a no ser que vueles las paredes. Poemas que asfixian, poemas que no dejan entrar el aire en la garganta porque no hay tiempo para los puntos, para las comas, para las estrofas. Son poemas cuyo peso recae en el ritmo, en un ritmo brutal que hace que los poemas se sucedan unos a otros salvajemente, con la violencia de quienes saben que no tienen mucho que perder. En 2015 presenta la primera parte de la colección "Los ecos del tiempo", trilogía en forma de Plaquette una  recopilación sin un orden  cronológico establecido de su vida poética titulada La mala confluencia de los instantes en 2016 pública la segunda parte de la colección "Ajustes de la vida en color sepia"; "Romance de un sonido con su eco" escrito en paralelo es la tercera parte de la colección y recopila   poemas escritos entre el 2003 y el 2014. 

    - Miembro de LLETRAFERTIS, Asociación de Escritores de Sant Boi - Miembro de ACEC (Asociación Colegiada de Escritores de Colombia) - Colaborador de Fundación Espejo como jurado de premios de poesía  - Colaborador de Retazo de arte, asociación cultural. - Colaborador del colectivo de escritores El laberinto de Ariadna. - Algunos de sus poemas han sido traducidos al inglés, rumano y francés

    OBRAS DE POESÍA:

    - El alma al orden  (Ediciones Az90, 2005) - El sueño de existir (Parnass Ediciones, 2010) - La mala confluencia de los instantes -Colección los ecos del tiempo) (Odradek Editorial, 2012) - La eternidad de los momentos ínfimos (Ediciones Odradek, otoño de 2014) - La mala confluencia de los instantes -Colección los ecos del tiempo) (Odradek Editorial, 2014) - Ajustes de la vida en color sepia - Colección los ecos del tiempo (Ediciones  Odradek, 2016) - Romance de un sonido con su eco, Antología personal 1998- 2015 ( Editorial Odradek 2017)

    COMO ANTÓLOGO

    - Ha coordinado una antología que reúne a 20 autores muy admirados por él. - La casa de los corazones rotos. Varios autores. Selección de Abel Santos. - Antología versos del Caribe Colombianos (Ediciones Odradek 2017. Próximamente)

    COLABORACIONES EN ANTOLOGÍAS:

    -Sonrisas del Sáhara (Parnass, 2010) -Talla G (Lalunaesmía editoras, 2011) -Vilapoética (Parnass, 2010) -premio de poesía amatoria, gozosa y erótica (Hipálage, 2011) como finalista -concurso de Microrrelatos Lorenzo Silva (Parnass, 2010),  -El camino del corazón solidario (Bohodón ediciones, 2012) -Poesía solidaria de Poesia en Acción (Odradek ediciones, junio 2013) -Poesia des dels balcons. Homenaje a Salvador Espriu (Odradek Julio 2013) -Voces desde el laberinto (Odradeck ediciones, 2013) -Poetas bajo Palabra. antologia 2014 Casa de Hierro

    COLABORACIONES EN BLOGS, REVISTAS IMPRESAS Y DIGITALES:

    -El lenguaje de los puños (Blog del poeta David González) -La Quimera (Revista gratuita de poesía. Argentina) -Lakúma Pusáki (Revista chilena de literatura) -Sureando-sureando (Blog de Beatriz Rodríguez) -Fragments de vida (Blog del poeta Francisco Javier Solé Ribas) -Tu cita de los martes (Blog del escritor Javier Cánaves) -Blog del poeta Manuel López Azorín -Culturalia (Programa de radio) -Pandora (Magazine de cultura) -Erosionados (Blog de poesía erótica de Adriana Bañares) -Puentes de papel (Blog del poeta y crítico José Luis Morante) -El Pulso (Diario de cultura y literatura) -Otro lunes: Revista de Literatura Hispanoamericana -Terral (Revista digital de Literatura) -Otras palabras (número 10º Aniversario) -Fundación Espejo (Revista) -Pliego de poesía Nuevas Voces de El laberinto de Ariadna. -Los libros del replicante (Blog de crítica literaria) -Insólitos (El blog que camina en el lado salvaje de la literatura).




    Pelo de perro

    “Hay dolores de los que
    únicamente podría consolarme
    la desaparición del cielo”.

    Ayer murió mi perro. Le quedaban cuatro meses para cumplir catorce años. Yo siempre decía: “entre el Presidente y mi perro, me quedo con mi perro” y “entre el vecino y mi perro, me quedo con mi perro”. Pero ya no está. Ya no está. Es extraña la vida. Tuvieron que asociarse humanos y lobos hace miles de años para que él y yo nos encontráramos, aunque nosotros no cazábamos mamuts, sino pelotas de goma que le arrojaba y él me traía diligentemente, en un acuerdo silencioso que la economía mundial encontraría despreciable. En Wall Street no sabían que existía mi perro. No sabían que daba grandes saltos de alegría contra mi pecho (con grave peligro para su salud y la mía) cuando le decía: “¿Vamos de paseo, Dalí?”. Nadie se ha alegrado tanto de pasear conmigo. Ninguna mujer, ningún amigo. Tu perro cree que eres Dios aunque seas un tipo absurdo y lleno de defectos.

    El perro se ha ido. Seguimos encontrándonos pelos blancos aquí y allí por toda la casa y en nuestra ropa. Los recogemos. Deberíamos tirarlos. Pero es lo único que nos queda de él. No los tiramos. Tenemos la esperanza de que si recogemos suficiente pelo, seremos capaces de recomponer al perro.

    Ayer murió mi perro y la vida es menos humana.




    ¿Qué pasado nos separa?

    Parece, mar, que luchas
    -¡oh desorden sin fin, hierro incesante!-
    por encontrarte o porque yo te encuentre.
    Juan R. Jiménez

    Sabes que no me gusta el mar, lo sabes perfectamente. No es porque no sepa nadar, no, no es nada de eso. Es porque siempre me pareció cruel. El sistema de mareas: bajamar, pleamar. Las olas, la espuma. Hay algo de cruel en todo ese ciclo, en toda esa repetición.
    El mar siempre devuelve a la orilla cachivaches desagradables que la gente ya no quiere: un sillín oxidado de bicicleta vieja, latas de leche condensada, zapatos sin cordones, cordones sin zapatos, llantas, plásticos, radios inservibles. O esos cadáveres que se perdieron mar adentro y que vuelven semanas más tarde, hinchados, picoteados por las gaviotas, cuando ya nadie los echa de menos porque hasta a la pérdida se acostumbra uno.

    Por eso no me gusta el mar, porque es igual que la memoria. Termina escupiéndote a la cara todo aquello de lo que quisiste deshacerte un día.




    En mi casa hay una silla vacía

    Esto es lo que queda del polvo
    por eso, no duele al caer
    por eso, no sabía distinguir
    tu aliento, del aire.
    Por eso, los dientes manchados
    en el pecho de la almohada
    tu vida despidiéndose
    del pulmón izquierdo.
    La distancia era eso
    todo un cielo sobre el suelo
    todos los días con un nido en la cabeza.
    Los guantes de látex
    y volar, con el ojo cerrado
    el pecho en picado.
    Para los pies de la cama
    no hay nada
    solo un libro
    y hojas que arden.
    Eso era
    sentirse terriblemente horizontal
    y sin rostro.
    Si, esto es lo que queda del polvo
    tu boca que asoma
    de la boca de un horno.





    El río equivocado de agosto

    Me duele el río de agosto
    equivocado, vacío
    y el discurso amenazante de tu silencio.

    Me duele el reloj que nos aleja del tiempo
    y ese río que explora en tu piel
    el sabor de Cartagena.

    Me duele el agua que no mana de tu pecho
    y los peces que se esconden en la noche
    por temor a la oscuridad.

    Me duele que Ray Charles
    no nos cante Yesterday a solas
    y que tu gato no me quiera hablar.

    Me duele no saber deletrear
    las palabras que conducen a tu nombre
    y el olvido que se olvida de olvidar.

    Me duele el río de agosto, equivocado, vacío.




    La casa en mí

    Hay una casa que vive en mí.
    Abro sus puertas en los ventrículos de mi corazón
    surge la luz de una historia con pasos alegres
    es el tiempo una sangre insólita
    que fluye desde si hasta si
    como un río sin límites.
    Dentro, las voces repican su adiós
    mientras las celosías niegan el futuro
    con una flor en el dintel.
    Allí estás
    igual que sombras que recorren sin parar
    mis músculos y mis sentidos.
    Eres el clamor de cada alvéolo
    la latitud insondable de los abismos
    el pálpito urgente de cualquier pensamiento.
    Hay una casa que soy yo
    con mis ventanas de mar y mis pasillos azules
    con la penumbra de las habitaciones descreídas
    con la voz en los adornos
    que lloran su luz blanca
    sobre recuerdos sin edad.
    Hay una casa en mí
    que no se describe en metros cuadrados
    su medida es el rondo de una peonza incansable
    su longitud la cicatriz de un horizonte
    que para siempre me habita.




    Mis cosas

    He regresado a la habitación de los ecos.
    Mi espalda se ha vuelto cuadro, jardín, profundidad.
    Cada objeto exhibe la huella de un algo impreciso
    que en la memoria se tiñe de luz. Medallas, libros,
    extraños suvenires que alguna vez tuvieron vida,
    dibujos, hojas sueltas, versos y escritos
    que languidecen junto al cajón blanco,
    las fotografías que nunca enmarqué y que ahora
    son la palpable seña de una destrucción programada.
    Todo persiste en su obstinación de muerte. Mientras
    busco entre las ropas lo que mi corazón olvidó
    suenan cerca
    otras voces, otros silencios, otros pasos sin futuro
    que no reconozco.



    Mar

    El mar continúa siendo un sujeto
    lleno de dudas y de sal.

    En él fallecen marinos
    seres que desconocen su existencia
    conserva canciones clandestinas
    de sirenas.
    No existen referencias de lo contrario.

    El mar nos transparenta
    con la muerte.
    No hay trayecto que devore
    los recuerdos
    no hay artefacto triturador
    de osamentas sin dolor.

    Todo es dolencia
                 la noche
                 las sombras
                 la mano
    que desconozco tanto.

    Comienzan a derribar los primeros escombros
    cortados con las uñas de los ojos.
    La arena que se filtra
    de los sueños se hace polvo.

    No hay más baile
                 que tus ojos
    apostados en la camisa.

    Ya no seré de nadie
                 ni tú de nadie.

    Todo es arcaico
                 y la despedida se nos hace
    una inservible libertad.




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    Gabriela Schuhmacher

    Gabriela Schuhmacher. Nacida en la ciudad de Santa Fe, provincia de Santa Fe, Argentina, donde vive actualmente. Publicó en el año 2016 su primer libro de poesía “Cantos del Norte” (Editorial De l´aire, colección la Herida Fundamental). Obtuvo el 2do premio de la VI edición del Concurso Nacional de Poesía 2016 “Paco Urondo” de la Ciudad de Villa María (Córdoba): plaqueta “Todas las miradas”, con una selección de cinco poemas del corpus inédito “El perro de la infancia y otros poemas”, y así también el 2do premio de la V edición del concurso literario 2016 “Vicentín”, género poesía, de la ciudad de Avellaneda (Santa Fe) por el poema “Schistocerca paranensis (Langosta peregrina)” del corpus inédito “Puros e Impuros (Tríptico en caja entomológica)”.

    Junto al músico santafesino Rubén Paolantonio integra el dúo “Palabras tocadas”, siendo el primer trabajo grabado: “Otra vuelta a la manzana”, obra de carácter interdisciplinario que reúne poesía, música y video.

    Estudió artes visuales y gestión cultural especializada en artes y patrimonio cultural, transitando universidades de Córdoba, Mar del Plata y la Fundación Ortega y Gasset en Buenos Aires.

    Coordina talleres interdisciplinarios de artes visuales y literatura, y como artista plástica se dedica a la fotografía experimental.






    Las tierras blancas
    (¿Dónde yaces, padre?)

    Cuando era niño
    el río estaba prohibido,
    se atisbaban especies oscuras,
    en mi almohada una pluma de garza
    era hundida por el filo de un hacha
    y una noche tuve el impulso
    de llevar al río la pluma partida,
    dejarla que flote.
    Cuando era niño preguntaba:
    ¿duerme, mi padre?
    y corría ligero a tu cama vacía,
    cama con colchón de hebra abierta
    por las aguas. Ya no cantabas:
    los cauces de las tierras bajas
    transgreden la blanca extensión.





    Casa de barro

    Salimos de la casa temprano,
    mi hermano y yo,
    el instinto pulsó
    el momento de emigrar
    tras el umbral de barro,
    cáñamo y ropa tendida.
    La puerta se cerró en un vaivén leve,
    como todos los días,
    y alguien desde su interior dijo:
    será la última vez.





    El olivo
    (Padres, ¿por qué me han desamparado?)

    Mi madre dijo, nos vamos, y yo
    que jugaba en la galería con mi perro,
    no entendí. El aleteo de la noche
    evoca en su sordera un mismo nido.
    ¡Estoy bajo el olivo!, el que trajo Alcides
    durante el ayuno por el regreso de su hijo.
    ¿No creen que debería saber
    cuál es el lugar que eligieron?
    Desaparecidos, acá la silla de mimbre
    mira al puente de madera, a la vieja
    ensenada y a los chañares, ¿qué puedo
    esperar del arroyo, acaso vendrán
    como las ranas y las aves más grandes,
    cuando se cierre la noche? ¿Qué noche?
    Mi perro no alienta apariciones
    y yo sigo saludando lejos. Nos vamos,
    le dije a mi perro y él me siguió.
    Madre, yo sabía cruzar la cañada
    con rama de olivo verde en los pies.





    Coro de ánimas
    Al búho del olivo

    Ave negra que traspasaste un día
    el descanso del padre,
    violaste las leyes de tu especie
    y sigues en los árboles.
    Lo sabemos, prefieres la rapiña
    y devorar en pleno vuelo.





    Diálogo del hijo
    con el coro de ánimas.

    El fuego
    (Oigan, ¿qué sostiene la tensión armónica?)

    — Se enciende en la medida justa
    que se apaga, pero desconozco
    cuál es su agente inmóvil,
    acá, sin padres, entre las llamas
    de ancestros, arde el marrón
    de la sangre después de soltar
    los cactus sus paletas. No hay leña,
    derribaron los árboles del camino,
    las tunas serán el recuerdo
    de algún fuego, el que corrió
    antes que yo y regresa
    sin develar qué lo mueve.
    El agente increado está cerca,
    en las ausencias de contrafuegos.
    Trae con el polvo
    la medida justa de mi padre,
    el dulzor de los tunales pelados
    por mi abuela, el desorden que estibó
    mi madre en invierno, los pasos
    circulares del amamantamiento.
    —Lo sabemos, todo es fuego.





    La noche avanza
    con cuerpo de paloma aventada
    y junto a su hermano muerto,
    el hijo habla al coro de ánimas.

    Cantos de cuna
    (Nuestra madre nos dijo:
    duerme, duerme niño hermoso
    que el cielo ya bajó)

    —Es aquí donde nacimos,
    con resinas de pino en la cara,
    bajo la cruz clavada que reza:
    esta es tierra de espectros.
    —Somos estrellas que anidan
    en los cielos yacentes,
    resignados a la suerte
    de ser arrojados sin vuelo.
    La muerte detiene el sentido del sueño
    y cantamos despiertos
    los acordes del semblante en sal,
    su tumba errante.
    Somos los que mecen la tierra afónica,
    los lazos de sangre
    destejidos entre semejantes.
    —Hijos extraviados en campos de cactus,
    es aquí donde vivimos, con arrullos de luces
    al borde del camino,
    donde las palomas se pierden sin horizonte
    y el nido se rodea de voces.
    —Construiremos la cuna con rosa y jazmín
    pero ahora, a dormir, todos a dormir.





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    MINDAUGAS NASTARAVIČIUS

    Mindaugas Nastaravičius (1984). Después de graduarse en periodismo cursó Filosofía y estudios literarios. Ha publicado dos poemarios: Dėmėtų akių (De los ojos con manchas) en 2010 y Mo en 2014. Además, se dedica al teatro y colabora con diferentes compañías  y grupos artísticos de Lituania.  


    Las presentes traducciones son de Dovile Kuzminskaite y María Sebastià-Sáez

    http://circulodepoesia.com/2017/02/poesia-lituana-mindaugas-nastaravicius/




    cita a sordas

                 ella:¿y cómo me ves?
                 él: la verdad es que pensaba que iba a ser mucho peor.

           De una conversación escuchada en la calle a propósito


    cuando nos vimos por primera vez, después de dos
    horas dijiste que no habría nada

    después de un mes yo también afirmé que no habría,
    y tú, yéndote, te giraste, en realidad
    nada pasa

    después de medio año confluimos los libros en una común
    existencia–mira, algunos coinciden,
    pero te parecía que esto todavía no significaba nada

    después de un año miré alrededor –mira y tú que pensaste que
    no habría nada, aquella noche no hubo nada,
    todo empezó después

    al despertarte dijiste que en nuestra vida de alguna manera
    no pasaba nada, por alguna razón nada se movía, muy
    tranquila estaba este agua

    a la mañana siguiente te diste la vuelta, porque te pesaba la vida,
    porque yo ni siquiera me acordaba que día nos habíamos visto,
    qué había dicho al separarnos

    el nueve de agosto decidimos salir de estas aguas:
    estabas segura de que necesitábamos
    una vajilla a juego

    yo también me esforzaba, dije que podía
    tatuarme algún pez
    en la axila porque ahora todo iba a ser de nuevo

    el cuatro de septiembre ya estábamos intentando distinguir
    qué libros eran los tuyos y cuáles los míos, los peces
    salían ya nadando de la vajilla tuya y mía

    pero cuando nos vimos por primera vez, después de dos horas
    abrí la boca, qué rápido
    pasó este tiempo, huecos eran los segundos

    sin agujerear los minutos, porque no vi cómo fluías,
    porque no escuché cómo corrías afuera, torrencial año de
    inexistencia

    tres meses chorreando, ocho días salidos
    del cauce, porque no podría decir la hora exacta




    disparo desde la calle Statybininku

    cuando me invitó detrás del establo Jaroslavas dijo que todo estaba
    claro: que las gallinas las mataba algún gato
    negro que había visto su madre

    observamos el recinto sangriento, las gallinas blancas
    con los traseros arañados, en las marrones la sangre
    se notaba menos, pero todo estaba claro

    hay que cargarse al gato, con lo cual los hombres de la calle
    Statybininku, nosotros, dos chicos de doce – lo haremos
    con nuestras propias manos y las madres ya no llorarán

    Jaroslavas dio a elegir: o coger hachas
    y esperar o hacernos arcos, en las flechas poner
    un clavo y entonces todo iba a estar claro

    un mediodía él estaba buscando enebros o fresnos, mientras
    alrededor de los establos de la calle Statybininku buscaba hilo de estraza,
    me dejó montando guardia

    claro, lo aproveché: uno tras otro llevé
    a casa los huevos de las gallinas ajenas, pero todavía vivas, y nada más
    entrar en la cocina me hacía un gogel mogel

    y al gato lo esperamos hasta que anocheció y cuando ya
    no se veía nada, lanzábamos flechas porque sí hacia los establos,
    hasta que una de las mías le dio a la cabeza a Jaroslavas

    claro, no se murió, pero durante dos días no salió
    de casa, después le llevé de la mía
    un sándwich con salchichón y le pedí disculpas y ya está

    luego intenté escribir sobre todo aquello, pero
    como diría Jaroslavas, todo aquí está muy claro:
    había que elegir hachas, por lo menos uno de nosotros

    ahora estaría ausente, ya que después intenté escribir sobre todo aquello
    hasta que se derrumbó la calle Statybininku, las gallinas picotearon
    a los gatos hasta la muerte y estos ahora defienden a Jaroslavas



    movimiento estático 

    cuando tenía unos diez años un Moskvitch
    amarillo atropelló a nuestro perro Topsikas

    lloré un poco, pero luego ya no lloraba,
    porque había que empezar a hacer algo, moverme

    levanté a Topsikas del asfalto, lo llevé detrás de la casa
    y me tumbé al lado, porque sabía, que había que hacer algo

    tengo que cerrar los ojos, creer mucho y cuando los abra de nuevo
    Topsikas respirará otra vez, respirará y respirará

    cuando tenía unos quince años estaba tumbado
    con mi padre junto a la hoguera, ardían nuestros ojos

    y mi padre dijo que ya estaba, que su vida
    se había acabado, entonces cerré los ojos

    luego volví a abrirlos pero mi padre seguía
    mirando la hoguera, ardían sus ojos y los de las ascuas

    cuando tenía justo los veinte estaba tumbado
    junto a la lápida de mi padre, no tenía fuerzas para cerrar los ojos

    pensaba que ya estaba, que la vida había terminado,
    me levanté y me llevé a la hoguera

    pero esta noche todavía existo y sé que si de repente
    abriera los ojos, nada habría cambiado,

    nada se movería tampoco si abriera los ojos lentamente,
    si no los abriera nunca más

    por eso estoy tumbado, con los ojos cerrados, escuchándote respirar
    y entonces – en paz con todo – me duermo



    Mindaugas Nastaravičius „MO“

       Mindaugas Nastaravičius (g. 1984) – poetas, dramaturgas, žurnalistas. 2010 metais, laimėjęs Rašytojų sąjungos organizuotą „Pirmosios knygos“ konkursą, išleido eilėraščių rinkinį „Dėmėtų akių“, buvo apdovanotas Zigmo Gėlės premija už geriausią metų debiutą. Kūryba versta į anglų, prancūzų ir rusų kalbas.

       „Tai ji, Atmintis, nepakartojamai asmeniška ir nesumeluotu asmeniškumu universali, yra centrinė antrosios Mindaugo Nastaravičiaus poezijos knygos veikėja – įgalinanti (netgi įpareigojanti) poetą į pasaulius žvelgti giliai, atvirai, saviironiškai. Atminties nutvieksta poezija netgi liūdniausiomis akimirkomis išmoksta, o išmokusi ir mus išmokina šypsotis.

       Manau, kad nešinam unikalia lietuvių poezijoje patirtimi aštuoniolika kilometrų nuo vaikystės ir paauglystės Marijampolio Vilniaus rajone ligi „Mo“ Mindaugui Nastaravičiui įveikti buvo ne arčiau, nei Sigitui Parulskiui tuos veik porą šimtų kilometrų, kuriuos paskutinis lietuvių agrarinis poetas keliavo nuo Obelių ligi „Mirusiųjų“.

      O ir skerdžia (aukoja) Mindaugas Nastaravičius ne Sigito Parulskio (kaip dauguma postparulskinių poetų miesčionių), bet savo kiaulę. Gyvą gyvos poezijos kiaulę!
    Om, skaitytojau mielas, om...“

    Aidas Marčėnas
    Ištraukos iš knygos

    i s t o r i j a  a p i e  p r a e i t į , d a b a r t į
    i r  v i s a  k i t a , k o  n e b u s

         •
    ką tik tvirtai apsisprendžiau: pradėsiu
    kurti, jau pirmi mano žodžiai bus
    daugiau nei užrašyti žodžiai,
    karvė čia nebus karvė,
    jokių istorijų, tikro
    gyvenimo, ką tik
    viskas pasibaigė

         •
    ir ką man daryti, ką man dabar
    daryti, sėdžiu ir ši tyla
    nieko gera nesako

        •
    dabar aš noriu kurti: iš žemės išaugo
    sūnus, kuris prisirišo toje pačioje
    žemėje, iš sūnaus vėl išdygo
    tėvas, angelas skrenda
    dangum ir nieko
    nesako

        •
    tada nebuvo jokio gyvenimo,
    tada gyvenau su karve: pririšu,
    ji nuėda, kiek pasiekia, skylė
    žemėje, kai ištraukiu kuolą,
    kai perkeliu į kitą
    vietą – dar viena
    skylė žemėje

        •
    dabar aš noriu kurti: karvė neateina
    manęs perkelti, skauda šita
    grandinė, viską seniai
    esu nuėdęs, iš žemės
    išdygsta tėvas,
    aš graužiu
    tą žemę

        •
    tada aš gyvenau su karve, bet draugas
    nuolat kartojo, kad geriausi
    poetai yra miesto poetai,
    todėl užtaisiau visas
    skyles ir mudu
    išėjome

        •
    jos ragus aprišau grandine, mums
    mojavo visokie žmonės,
    baidė mano karvę,
    bet mes ėjome
    nesidairydami,
    ėjome ir tai
    nėra jokia
    kūryba

        •
    nuo kojų trupėjo sudžiuvęs mėšlas, atsivedžiau
    karvę į katedros aikštę, ir žmonės tada
    kalbėjo, kad nieko gera tai nežada,
    tėvas išlindo iš žemės, ne mano,
    ne karvės tėvas, angelas
    skrenda į mus, ir tai
    ne aš sukūriau

        •
    bet dabar aš noriu kurti: mes stovėjome
    ir laukėme, kol tapsiu geriausias,
    triskart mylėjau, palikęs buvau
    savo karvę, ji stovėjo
    ir laukė manęs,
    tada viskas
    apsivertė

        •
    aš stovėjau ir laukiau, kol ji
    graužė nedygstančią žolę,
    kol bliovė ant šito tėvo,
    visus vienodai
    mylinčio

        •
    ir tada tvirtai apsisprendžiau: nieko nebus,
    mudu grįžome ant savo žemės,
    pririšome mano tėvą,
    nes ką man reikėjo
    daryti, ką
    man čia
    kurti

        •
    dabar aš nenoriu kurti:
    atgal į skyles žemėje,
    atgal į gyvenimą,
    viskas, bet tėvas
    grandinę
    nutraukęs,
    angelas
    žemę
    graužia,
    ir aš
    nežinau,
    kur juos
    perkelti



    k u r č i a s   p a s ima t y ma s

     ji: na, ir kaip aš tau atrodau?
    jis: tiesą sakant, galvojau, kad bus daug blogiau.
                       Iš tyčia nugirsto pokalbio gatvėje
    mums susitikus pirmąjį kartą, po dviejų
    valandų ištarei, kad nieko nebus
    po mėnesio ir aš pasakiau, kad nebus,
    o tu nueidama atsisukai, kad šiaip tai
    nieko ir nevyksta
    po pusmečio jau suplukdėme knygas į bendrą
    buvimą – žiūrėk, kai kurios sutampa,
    bet tau atrodė, kad tai dar nieko nereiškia
    po metų apsidairiau aplink – matai, tu galvojai,
    kad nieko nebus, tą naktį nieko ir nebuvo,
    viskas prasidėjo po to
    atsibudusi ištarei, kad mūsų gyvenime kažkaip
    nieko nevyksta, kažkodėl niekas nejuda, labai
    ramus yra šitas vanduo
    kitą rytą nusisukai, nes tau sunku gyventi,
    nes aš net neprisimenu, kurią dieną mes susitikome,
    ką išsiskiriant pasakiau
    rugpjūčio devintą nusprendėme išbristi:
    tu buvai tikra, kad mums reikia
    vienodų indų
    aš irgi stengiausi, pasakiau, kad galiu
    išsitatuiruoti kokią nors žuvį
    pažastyje, nes viskas dabar bus iš naujo

    rugsėjo ketvirtą jau bandėme atskirti, kurios
    knygos yra tavo, kurios – mano, žuvys
    jau plaukė iš tavo ir mano indų
    o mums susitikus pirmąjį kartą, po dviejų
    valandų išsižiojau, kad labai greitai
    praėjo šis laikas, kad kiauros yra sekundės
    nepramuštos minutės, nes nemačiau, kaip suteki,
    nes negirdėjau, kaip išbėgi, sraunūs
    nebuvimo metai
    trys varvantys mėnesiai, aštuonios išsiliejusios
    dienos, nes valandų tiksliai nepasakysiu






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    PASKALIS PAPAVASILIOU

    Paskalis Papavasiliou (Salónica, 1941) emigró a Viena cuando tenía 18 años y regresó a Grecia casi dos décadas después, en 1980. Es miembro de muchas asociaciones literarias (tanto europeas como griegas). Tiene publicados cuatro poemarios y ahora prepara su próxima publicación. En una selección de poemas escogidos bajo el título "Ausgewählte Gedichte" se tradujeron al alemán poemas suyos.

    Su poesía refleja su niñez, los años pasados, las memorias de una Grecia diferente de la actual: niños que juegan en las parcelas de la vecindad o en las calles sin coches. Un tema recurrente en sus versos es el amor, un amor cariñoso, lleno de ternura. En sus versos, Papavasiliou, mezcla el lenguaje cotidiano con el uso de palabras olvidadas, las nociones corrientes con las excepcionales; en el mismo verso conviven palabras que han caído en desuso o un lenguaje poético y vocablos actuales.

    Los poemaspresentados aquí tienen como temática común el amor. Como los versos amorosos forman el cuerpo más significativo de su producción, tengo elegidos tres poemas amorosos, o mejor dicho, cuasi-amorosos y cuatro poemas inéditos. El primer poema nos habla de un viaje, un tema preferido por muchos poetas contemporáneos; el mar, los barcos, el viaje, el eterno azul son ideas empleadas con frecuencia por los poetas griegos puesto que Grecia es un país marinero. Y, el verso final del poema nos da el amor “… más calladas que mis deseos por ti.” El segundo poema es un himno al viaje mental, al viaje del alma y del cuerpo: “Nadar en los ríos de la serenidad/Trepar el suspiro del alma…” El tercer poema nos habla del amor, del mar y de los ríos, del sol y de las playas griegas, temas muy frecuentes también en la poesía griega. Nostalgia, amor, mar, melancolía, el pasado y el presente se entretejen hasta formar una tela poética muy personal en la poesía de Papavasiliou.

    Los cuatro últimos poemas (inéditos como ya mencionado), forman parte de una futura publicación suya. Papavasiliou muy cortésmente, me los envió apenas se los pedí. En esos poemas contemplamos un cambio hacia versos más cortos, en algunos casos, el verso es una sola palabra. El uso de sustantivos y adverbios es más frecuente que antes y los verbos son pocos pero fuertes. Papavasiliou, en la mayoría de los casos, no pone títulos en sus poemas, el primer verso de cada poema funciona como título también.

    El amor y la nostalgia laten con sigilo en la obra de Papavasiliou. Tanto la Grecia de los años pasados como la pasión de un amante a lo antiguo, que no existe hoy en día, constituyen la esencia de su poesía.

    Natasa Lambrou



    *Traducción de Natasa Lambrou

    http://www.lagallaciencia.com/2017/02/paskalis-papavasiliou-un-poeta-amoroso.html




    Κάποιες φορές στις σιωπές
    η ψυχή ταξιδεύει από τη χαρά  στη μελαγχολία       
    από τη νοσταλγία στο όνειρο                        
    στο απέραντο γαλάζιο πέλαγος         
    με φουσκωμένα πανιά από τις θύμησες

    Η καρδιά τιμόνι στο άγνωστο           
    Οι χαρές στην πλώρη                                   
    Οι πίκρες σκορπισμένες στο κατάστρωμα               


    Την ώρα που τα σύννεφα πλαγιάζουν                      
    στην κλίνη του ασημένιου φεγγαριού                      
    λάμπουν τα αστέρια σαν έντονες λαχτάρες              
    πιο βουβές και από τους πόθους μου για σένα         




    A veces hacia los silencios
    viaja el alma de la alegría a la melancolía
    de la nostalgia al ensueño
    a la infinita mar azul
    con las velas hinchadas por los recuerdos

    El corazón timón rumbo a lo desconocido
    Las alegrías en la proa
    Las penas sueltas sobre la cubierta

    A la hora cuando las nubes se reposan
    en el lecho de la luna de plata
    las estrellas se iluminan como anhelos vehementes
    más calladas que mis deseos por ti




    Προσπαθώ
    Να κολυμπήσω στα ποτάμια της γαλήνης
    Να σκαρφαλώσω στης ψυχής τον στεναγμό
    Και να φουντώσω ευτυχία απ'την πνοή μου
    Να ταξιδέψω μ'ένα όραμα αληθινό
    Και να βιγλίσω το απέραντο του πάθους
    Μ'ένα πνεύμα που σαλεύει το μυαλό
    Να ξεκλειδώσω την αμπάρα της ψυχής μου
    Να λαμπυρίσουν τα σημεία που ζητώ
    Και να βατέψω ακάματος στη σκέψη μου επάνω
    Προσπαθώ



    Intento
    Nadar en los ríos de la serenidad
    Trepar el suspiro del alma
    Y estallar felicidad de mi aliento
    Viajar con una verdadera ilusión
    Vigilar lo amplio de la pasión
    Con un espíritu que delire la mente
    Abrir con llave el cerrojo de mi alma
    Que resplandezcan los puntos que pido
    Copular reposado mi pensamiento
    Intento





    Χαμόγελο

    Ένα χαμόγελο απέραντο σαν πέλαγος με οδήγησε σ'εσένα
    Βλέπω στο βάθος να μου γνέφουν δυο μάτια
    Ματιές ανείπωτες στο βάθος της καρδιάς μου φωτίζουν τις γωνιές
    Ήρθα στα χείλη του γέλιου σου ν'αράξω
    Τ'όνειρο στα μάτια σου να ξεδιπλώσω
    Κι αυτή την άγια ώρα επάνω στο κορμί σου ν'ακουμπήσω
    Και απ'το ποτάμι της ψυχής σου να δροσιστώ
    Να κολυμπήσω στα άδυτα ρυάκια του κορμιού σου
    Μ'αγάπη να αναδυθώ
    Να λιαστώ απ'τις αχτίδες των ματιών σου στην παραλία της καρδιάς σου
    Να κυλιστώ στην άμμο του γιαλού σου
    Ρέμβη αγάπης να αισθανθώ



    Sonrisa

    Una sonrisa amplia como mar me condujo a ti
    Veo al fondo dos ojos que me hacen señas
    Miradas inefables en el fondo de mi corazón iluminan las esquinas
    A los labios de tu risa vine a reposar
    El sueño a tus ojos a desvelar
    Y a esa hora santa sobre tu cuerpo a reclinarme
    Y del río de tu alma a refrescarme
    A nadar en los arroyos sagrados de tu cuerpo
    A emerger con amor
    A tomar el sol desde los rayos de tus ojos en la playa de tu corazón
    A rodar sobre la arena de tu costa
    A sentir el ensueño del amor




    Μία μέρα
    Μια ώρα
    Ένα λεπτό
    Κάθε δευτερόλεπτο
    μου λείπουν τα μάτια σου
    ταχυδρόμοι ερώτων
    Νογώ τις στιγμές των μακρινών εποχών
    της αγάπης γιομάτης έρωτα 
    Αναλογίζομαι  τόλμες που δεν τόλμησα
    Νιάτα αλόγιστα 
    Απερίσκεπτα
    Εφήμερα
    Όλα μια νοσταλγία δίχως απαντοχή
    Τώρα
    Θρήνος
    Θλίψη
    Πλήξη
    Θρύψαλα
    Σκόνη 
    Ερημιά



    Un día
    Una hora
    Un minuto
    Cada segundo
    me faltan tus ojos
    mensajeros de amor
    Me percato de los momentos de épocas lejanas
    del amor lleno de pasión
    Medito osadías que no osé
    Juventud desconsiderada
    Atrevida
    Efímera
    Todo una nostalgia sin expectativa
    Ahora
    Lamento
    Tristeza
    Cansancio
    Trizas
    Polvo
    Páramo






    Μίλα μου
    Πες κάτι
    Θυελλωδικά
    Δαιμονικά
    Έντονα
    Έστω ψιθυριστά

    Η σιωπή
    Ό,τι φοβάμαι πιο πολύ
    Θυμίζει πλήξη
    Μοναξιά
    Στεναγμούς
    Θρήνους
    Ρόγχους από τα τάρταρα μου
    Στη σιωπή ακούω και παράξενους ήχους

    Πες κάτι
    Ό,τι και να πεις
    είναι για μένα
    αυγής ξημέρωμα



    Háblame
    Di algo
    Tormentosamente
    Bestialmente
    Intensamente
    Susurrando, por lo menos

    El silencio
    Lo que más temo
    Recuerda hastío
    Soledad
    Suspiros
    Llantos
    Ronquidos de mi tártaro
    En el silencio oigo también sonidos raros

    Di algo
    Diga lo que digas
    es para mí
    el amanecer del alba




    Τι απόμεινε
    Ο απόηχος από όσα με ενδιαφέρον πράξαμε
    στους κύκλους της ζωής μας
    ανάμεσα σε ταξιδιάρικα πουλιά
    Τώρα καθισμένοι γύρο από το τραπέζι με φίλους
    Ράθυμες συνομιλίες
    με ένα ποτήρι κρασί
    Ένα τσιγάρο
    Ένα κενό
    Αναμνήσεις από εκείνους που έφυγαν
    Το παρελθόν
    Το παρόν
    Το μέλλον
     Και ο στόχος να μας κυριεύει ξανά



    Qué más quedó
    El eco de todo lo que con interés obramos
    en los ciclos de nuestra vida
    entre pájaros viajeros
    Ahora sentados con amigos en círculo en la mesa
    Conversaciones vagas
    con un vaso de vino
    Un cigarrillo
    Un hueco
    Memorias de los que se marcharon
    El pasado
    El presente
    El futuro
    Y el objetivo que nos posea de nuevo






    Τούτη τη βραδιά
    μήτε το φεγγάρι
    μήτε η δροσιά της νύχτας
    μπορούν να σβήσουν τη φωτιά
    που πυρπολεί το είναι μου

    Είναι οι στιγμές που χάνονται οι σκιές
    και προβάλουν τα αστέρια
    Πυγολαμπίδες τρεμουλιαστές
    Λαμπερά ενθύμια
    χαρούμενου περασμένου καιρού
    που αλλοίμονο δεν θα γυρίσει πια



    Este atardecer
    ni la luna
    ni el fresco de la noche
    pueden apagar el fuego
    que arde mi ser

    Son los momentos en los que se pierden las sombras
    y brotan las estrellas
    Luciérnagas que titilan
    Recuerdos brillantes
    de un tiempo pasado alegre

    que ay no volverá jamás









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  • 02/21/17--03:49: DIONISIOS KAPSALIS [19.958]

  • DIONISIOS KAPSALIS

    Dionisios Kapsalis (Atenas, 1952) es licenciado en Filología Clásica e Inglesa (Universidad Georgetown, EE.UU) y Filología Griega Moderna (King´s College, Reino Unido). Ha publicado más de 20 libros de poesía y ensayo. Ha traducido al griego obras de Wilhelm Müller, Emily Dickinson y William Shakespeare. Su traducción de los 25 sonetos de Shakespeare se considera una de las mejores. Ha enseñado literatura en el Teatro Nacional de Grecia y ahora trabaja en el Instituto Cultural del Banco Nacional de Grecia como director.


    Ha sido galardonado con el Premio Nacional de Literatura Traducida al griego y con el Premio Kostas y Eleni Uranis de la Academia de Atenas. En 2015 fue reconocido como Doctor Honoris Causa por la Universidad Aristóteles de Salónica.

    Dionisios Kapsalis es uno de los pocos poetas contemporáneos que escriben poesía con métrica y rima. En una época en la que se propicia la poesía del verso libre, él opta por la versificación rimada no porque menosprecia el verso libre sino porque a él le sale más fácil y natural escribir versos rimados, según dice. A causa de esa forma rimada de sus versos muchos de sus poemas han sido musicalizados.


    Su temática gira alrededor del amor y la muerte. El amor en la obra de Kapsalis resulta latente: algunas veces una sola palabra, un verso (“el dolor del corazón crea estrellas”) y eso es todo; en otros casos, este mismo amor es patente, indiscutible (“yo te quiero y temo de que te vayas”). Sin embargo, la muerte no es latente, es un tema recurrente, constante en su poesía. En el fragmento IX de su poemario “Días festivos” nos habla de la muerte que vendrá con su guadaña afilada, nos dice que quiere recibirlo en un vestido elegante y concluye: “Vendrá a la hora en la que mi luz se agobia”; esa es la hora que la vida se le (nos) escapa de las manos dejando un cuerpo cansado, un aliento derrotado y una luz que agobia parpadeando. El poema fue musicalizado por el grupo de rock “Diáfana Krina” (Lirios Diáfanos).

    En su poema “Vela” la muerte está presente de nuevo en el verso “¿Papá, qué significa muero?” y en su último poema presentado hoy, “En este cielo”, la muerte le permite al poeta subir e ir hacia el más allá.

    Lo que destaca en la temática de la muerte es que Kapsalis no le tiene miedo a la muerte: Kapsalis no percibe la muerte como un final irreversible, un viaje sin retorno, sino como una situación tranquila, como la calma que viene después de la tempestad. La perspectiva de Kapsalis es la de un neorromántico que busca la paz y pide la calma. Kapsalis quiere alejarse de los temas modernos y por eso da un giro hacia el romanticismo ofreciendo a sus lectores momentos escalofriantes y relajantes a la vez.

    Su poesía resulta romántica por la temática, difícil por el uso peculiar de las palabras pero encantadora y fascinante por la perspectiva personal de su creador.

    Aquí compartimos con todos los lectores de La Galla Ciencia unos poemas de Dionisios traducidos del griego moderno en nuestra sección de TRADUCCIONES. Os dejamos también el poema DÍAS FESTIVOS, musicalizado por el grupo de rock DIÁFANA KRINA, cuyo cantante Anestópulos murió hace unos meses, en Octubre de 2016.

    Traducción:   Natasa Lambrou

    http://www.lagallaciencia.com/2017/01/algunos-poemas-de-dionisios-kapsalis.html#more



    Κερί

    Κοίτα, ο πολικός αστέρας 
    που δείχνει πάντα το Βορρά 
    τα βλέπει τόσο καθαρά,
    σα να είχαν όλα ξαναγίνει 
    από λεπτότατη οδύνη.
    Και τι θα πει μπαμπά πεθαίνω;
    Μαθαίνω, αγόρι μου, μαθαίνω. 




    Vela

    Mírala, la estrella polar
    que indica siempre al Norte
    y que tan claro lo advierte,
    como si se lo rehiciera todo
    por un dolor muy delicado.
    ¿Papá, qué significa muero?
    Aprendo, hijito mío, aprendo.


    *


    Μέρες αργίας 

    Ξέρω πως θα `ρθει και δε θα `μαι όπως είμαι,
    να τον δεχτώ με το καλύτερο παλτό μου.
    Μήτε σκυμμένος στις σελίδες κάποιου τόμου,
    εκεί που υψώνομαι να μάθω ότι κείμαι.

    Δε θα προσεύχομαι σε σύμπαν που θαμπώνει,
    δε θα ρωτήσω αναιδώς, πού το κεντρί σου;
    Γονιός δε θα `ναι να μου πει, σήκω και ντύσου
    καιρός να ζήσουμε παιδί μου, ξημερώνει.

    Θα `ρθει την ώρα που σπαράσσεται το φως μου
    κι εκλιπαρώ φανατικά λίγη γαλήνη.
    Θα `ρθει σαν πύρινο παράγγελμα που λύνει

    όρους ζωής και την αδρή χαρά του κόσμου.
    Δε θα μαζεύει ουρανό για να με πλύνει,
    δε θα κρατά βασιλικό ή φύλλα δυόσμου.




    Días festivos

    Yo sé que vendrá él y como estoy no estaré,
    para recibirle en mi vestido adecuado.
    Sobre las páginas de un tomo ni inclinado,
    para ver que yazgo donde yo me subiré.

    A universo que se ciega no rezaré,
    ¿y tu fila? vulgarmente no dudaré,
    No habrá mi padre a decirme, vete a vestir
    amanece, mi hijo, ya es hora de vivir.

    Él vendrá a la hora en la que mi luz se agobia
    y un poquito de calma pido furibundo.
    Ya vendrá orden candente que zanjando cambia

    clases de vida y la dicha tosca del mundo.
    Cielo para lavarme no recogerá,
    alhábega o hierbabuena no cogerá.



    *



    Οι ώρες απειθούν

    Οι ώρες απειθούν, γίνονται μέρες, 
    οι μέρες εβδομάδες.. μήνες.. χρόνια.. 
    περιπολούν στους κήπους μαύρα πιόνια 
    και πέφτει νύχτα σ’ όλες τις σκακιέρες. 

    Κλείνουν στο σπίτι τα παιδιά οι μητέρες 
    και γω που σ’ αγαπώ τρέμω μη φύγεις. 
    Χτυπάω στ’ όνειρό μου, δεν ανοίγεις,
    κι ο πόνος της καρδιάς γεννάει αστέρες 

    διάττοντες, σε άπονο ουρανό. 
    Κοίτα πως καταλάμπουν το καινό 
    πεθαίνοντας κι η πύρινή τους κόμη 

    αχτένιστη, φεγγοβολάει ακόμη, 
    σαν ποιητές που σίγησαν ενώ 
    χάλκευαν μια χαρμόσυνη συγγνώμη. 




    Las horas no obedecen

    Las horas días se hacen, no obedecen,
    y los días semanas.. meses.. años..
    en el jardín velan peones doblados
    negros, en los tableros noches se hacen.

    En casa a los hijos meten las madres
    yo te quiero y temo de que te vayas.
    Llamo a mi sueño pero tú no abres,
    el dolor del corazón crea estrellas

    fugaces, en un cielo indispuesto.
    Mira como resplandecen lo nuevo
    muriendo y con su pelo refulgente

    despeinado, luce todavía,
    como poetas mudos oralmente
    fraguando algún perdón con alegría.



    *




    Στον ουρανό 

    Στον ουρανό δεν έζησα ποτέ μου
    κι όμως θυμούμαι κι εύχομαι το φως του
    τις νύχτες όταν δέομαι του αγνώστου
    θεού σε μια ζωή μεσοπολέμου.

    Μονάκριβος δεν είμαι, δεν πιστεύω
    πως πύκνωσε ο κόσμος για να ζήσω
    για μια στιγμή θα στάθηκε πιο πίσω
    ο θάνατος και μ’ άφησε ν’ ανέβω.

    Ίσως η μοίρα φρόντισε να μείνω
    αντίκλητος της λύπης των αιθέρων
    για να τελώ των σκοτεινών εταίρων
    τη μνήμη και τη δόξα τους να κλίνω.


    En este cielo

    Nunca antes he vivido en este cielo
    pero lo recuerdo y su luz deseo
    por las noches al clamar al oculto
    dios en una vida siempre en conflicto.

    No soy precioso, no me lo creo yo
    para vivir yo, el mundo se llenó
    para un instante atrás permaneció
    la muerte y a subir me permitió

    Quizás quisiera que quede este sino
    agente de pena del remolino
    de heteras sombrías para celebrar
    la fama y sus glorias para conjugar.

     *Traducción de Natasa Lambrou







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  • 02/21/17--04:14: GRACIA AGUILAR [19.959]

  • GRACIA AGUILAR 

    Gracia Aguilar Almendros. Nació en Albacete en 1982. Es Licenciada en Humanidades. Ha publicado poemas en varias revistas y fanzines, como Barcarola, La Siesta del Lobo, Isla Desnuda o Feria. Figura en la antología de poetas jóvenes de Albacete Generación Fanzine de Arturo Tendero y en la antología Guía de poetas de Albacete 2009. Ha obtenido el premio de Poesía Joven convocado por el Ayuntamiento de Albacete (2005). También ha sido reconocida con el Premio Jóvenes Artistas de la Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha.



    POÉTICA

    Soy hija de poeta, es decir, la poesía ha sido,
    desde muy temprano, la forma natural de in-
    tentar explicarme a mí misma. La poesía fun-
    ciona también como un interruptor que puede
    parar mis obsesiones, por eso, para mí, es im-
    portante el ritmo, porque suplanta otro ritmo,
    repetitivo y doloroso, que puede arrastrarme. A
    menudo acuden versos sueltos a mi mente y me
    curan. Creo en el poder de la palabra, mis poe-
    mas son a veces oraciones profanas. También
    creo que leer a Safo cuando empezaba a descu-
    brir el cuerpo me cambió, me hizo nombrar el
    deseo de otras formas.



    BAILANDO CON LOBAS

    Esos segundos
    enloquecidos,
    en los que soy tan solo movimiento.

    Para dar el siguiente paso
    no hay más que seguir
    una cadencia más sabia que yo.

    Siento la cálida respiración
    de la manada,
    huelo, respiro nuestra carne,
    encendida y diversa.
    Una mano acaricia mi pelaje
    y aúllo feliz.



    AUTODEFENSA

                        A Pedro Gascón, que me dijo:”Escríbelo”.

    Mis guantes mienten,
    bajo la lana rosa
    son guantes de boxeo.

    A los seis años me hicieron tomar
    amargas medicinas,
    queriendo así calmar la rabia
    de mis defensas,
    hasta ese punto llego en mis ataques preventivos.

    Y sabed
    que bendigo mi fuerza
    y mis puños ensangrentados.

    Tenía dieciocho
    cuando por vez primera
    intentaron violarme,
    y veinte la segunda,
    no pudieron, pues soy
    una pequeña boxeadora
    afortunada.

    Nunca lo había escrito
    por no ser una chica
    que escribe violación o semen
    y quiere ser con ello transgresora,
    porque en mis poemas
    lo oscuro apenas me rozaba.

    Hoy escribo ansiolítico,
    dolor y semen
    porque conozco su sabor.

    Hoy ansío un descanso entre rounds,
    una voz dentro
    de mí, o fuera,
    que como Humphrey Bogart diga:
    “Tranquila, preciosa, todo irá bien”.

    Y sobre todo,
    y por favor que yo,
    sobre todo, que me lo crea.





    FINISTERRE

    Allí pesaba el cielo,
    era una sábana ceñida y fría,
    yo un animal boqueante.

    Aquí la luz es miel untada,
    y dora todo por igual.
    Es sencillo formar parte de un horizonte,
    cuya vastedad es la tuya.

    Pero una madrugada,
    a la salida de aquel bar,
    me esperaba la nieve,
    intentaba lamer mis muslos,
    y mendigando así mi amor
    callada y blanca, la ciudad
    se ofreció al fin.



    Aunque he permanecido
    tímida en mi inmensidad
    como los calamares gigantes, abisales;
    hoy sé que quepo
    en todos los abrazos.

    Y ya no voy a cometer
    con el mundo, la infidelidad
    del gato que cuidadosamente,
    limpia su piel
    hasta que no deja rastro de nosotros.

    Tengo la solución
    para salir del laberinto
    de casas blancas:
    cruzar las puertas
    en las que se escribió mi nombre.
    Mi nombre, síntesis del mundo,
    con tiza, en la pared.



    Tienes otra materia, otros ritmos,
    mas todo el mundo es una extensión
    de mi y tú una de las más dulces,
    ante ti siempre estoy descalza,
    despeinada, recién amanecida.
    Ven a mi fragilidad de pijama.
    Toda piel que he tocado me ha convertido en oro,
    Déjame buscarme en tu cuerpo,
    lámeme el alma.



    Clara, mi hermana,
    primera prueba, luminosa
    y cierta como un grito,
    de que alguien diferente a mí,
    puede quererme.

    Me alejaba, yo a veces, en los libros
    y también la encontraba allí,
    en la palabra “rapaz”,
    en toda defi nición de un cachorro,
    cuando alguien dice: limpia de corazón.

    Sentir cerca su olor
    es saber que lo abstracto
    nunca te atrapará.



    Era mi sueño de ciencia ficción:
    Escapábamos de esa isla rojiza
    en una nave voladora,
    dentro una luz rubia bañaba
    los mandos.
    Y nos conducía con cadencia de Chet Baker a casa.

    Cómoda dentro de esta incertidumbre de pies desnudos
    las huidas no preocupan si aceptas
    esta continua travesía, el mundo
    por un orden con patas de elefante
    sostenido,
    un control automático que conoce el camino,
    describir todos los sabores nuevos
    en gruesas libretas de viaje esta.



    Hasta la madre se convirtió en barro
    un barro acuoso,
    frágil y sin cocer.
    Y quedé sostenida
    por un latido desigual, pequeño,
    polivalente e incierta como célula madre:
    y aún así cada vez más definible,
    con un cuerpo mullido y nuevo,
    anchas caderas que me sostienen,
    un cuerpo que jamás pronunciará
    un noli me tangere.
    Camino ahora con pies de barro,
    desnuda, sólida y pluvial.



    He llegado a Fisterra,
    la tierra donde acabo,
    donde me desconozco,
    el final de la Gracia Transparente.

    Estoy aquí,
    a punto de saltar al agua oscura,
    sabiendo que crisálidas y huevos
    se suceden, que nunca estaré terminada,
    que he de vivir como larva perpetua.
    Tatuarme el rostro no me hará más dura
    y hace tiempo que las imágenes de las iglesias románicas
    no son ejemplo suficiente.
    (Tienes razón: tengo heridos los labios
    pero los ojos no,
    conservo todavía formas de contemplarte
    como a un atardecer).

    Estoy aquí,
    mientras algo ha dorado la ciudad,
    una luz antes de la lluvia,
    que la hace cálida y más grande.
    Allí el acantilado,
    Un, dos, tres, cuatro, splass.




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  • 02/21/17--04:47: CARLOS MAZARÍO [19.960]

  • CARLOS MAZARÍO 

    (Alicante, 1977) es Licenciado en Humanidades por la Universidad de Alcalá y profesor de Geografía e Historia en un instituto público. Es autor de los poemarios “Un incendio” (Groenlandia, 2015) y “Mi vida en Camposanto” (Inventa Ed., 2016), así como del blog personal “La poesía etcétera” (etceterapoesia.blogspot.com). 

    Carlos Mazarío ha ganado el IV Premio de Poesía Asociación Cultural Fractal, con el libro Movilidad Exterior. El jurado resaltó su coherencia y buena construcción, siendo un libro redondo en todos los aspectos, y por su lúcida crítica a una crisis económica, y a un mundo, el del ladrillo y el de la corrupción política, que ha producido un éxodo de jóvenes hacia otras tierras. Este canto a los jóvenes emigrantes está plagado de referencias literarias y combinado con un lenguaje poético trabajado, con interesantes juegos conceptuales.



    “Un incendio” (Groenlandia, 2015)


    CUENTOS
    CHINOS

    HAY DÍAS QUE SON CLAROS
    como los ojos
                  / del pescado fresco,
    en que la verdad luce
    en el reflejo en los escaparates
    de una cara angustiada. 

    Son días en que el aire
    se exilia en los rincones de las calles, 
    deja un vacío denso
    que duele, más que pesa,/ 
                     y sin embargo,
    nos cuesta respirar, 
                / porque lo hacemos
    casi sin interés, que ya no hay nada
    que pueda mantenerlo.




    HACIA INCENDIOS FUTUROS
    galoparé, no os quepa la menor
    duda, que mi vacío necesita
    otra paz, otras tierras, 
                        / otra sangre.

    Habrá más fuegos que vengan, 
                        / vibrantes,
    azules, redentores,
    en una ardiente huida que fecunde
    hojas de un calendario inexistente,
    páginas aún no escritas de un libro 
                      / insospechado.

    Serán llamas como enormes palmeras,
    una matriz inmensa con puntas 
                      / encendidas
    que venga a liberarme de  
                     / estos días oscuros
    en los que no hay certezas, 
                    no hay ciencia, 
                          no hay palabras,
    sólo hay tiniebla, y vago
    buscando estrellas, luces
    que iluminen la estancia 
                     / en que tropiezo.
    Pero no,el muro está en mis ojos tapiados, 
                    / y lo veo
    desde su vientre, bastos costurones  
                    / de yeso
    cegando mi mirada.

    Ante esto, dónde están 
                   / los fuegos sanadores,
    los incendios que un día llegarán, 
                   / los volcanes
    que estallan con bramido 
                   / poderoso, 
    las llamas
    que prenden los recuerdos,
                  / lo oscuro, lo maligno,
    convirtiendo en cenizas el dolor,
    en lluvia de pavesas abstractas
                  / el pasado,
    lo amado, lo que hiere.

    Han de venir, vendrán;
    veo su luz, a tientas, al fondo
                   / de este túnel.



    NUNCANADANADIE

    QUÉ VA A SER DE TI,
    sombra infeliz,
    cuando termine todo,
    cuando acabe la lucha,
    cuando los ojos turbios 
              de los combatientes
    estén secos 
          como lagunas tristes 
                en verano.



    Mazarío, Carlos. Movilidad exterior. Albacete; Asociación Cultural Fractal, 2016.


    MOVILIDAD EXTERIOR

    En la sesión plenaria de los martes
    la señora Ministra se encarama
    al estrado, con su traje de chaqueta,
    dejando en el escaño un portafolios
    y un bolso de Chanel. Como es debido
    saluda al Presidente y se dirige
    en discurso leído a sus colegas,
    y con gran desparpajo
    acuña en un momento dado el término:
    movilidad exterior.

                                       Su puta madre.



    REY

    Ahora vuelves
    a la que nunca dejó de ser tu casa
    —la llamabas así, recuérdalo,
    voy a comer a casa, me decías—,
    pero entonces regresas
    y tu cuerpo es extraño en una cama
    de noventa, con sábanas que huelen
    a adolescencia, con la ventana triste
    por la que ves las bragas color carne
    de la vecina en el patio de luces
    tan oscuro, y hoy todo te molesta,
    te molestan los gritos de tu madre
    y el ruido de la tele, la cisterna
    con su goteo atávico,
    el gotelé amarillo y la cenefa
    de frutas y pucheros, los ronquidos
    en el insomnio negro en que te ensañas,
    y te dices me tengo que marchar.

    Marchar a dónde, rey.

    Qué hueco tan profundo
    tener que irse y no saber a dónde.



    RADIO

    Tal vez no ira, pero algo parecido,
    una concentración de odio prehistórico,
    la bilis de un dragón, la sangre enferma
    de mil generaciones de paganos,
    una explosión atómica en el vientre
    oyendo las noticias.



    DÍAS ROJOS

    Qué humillación abrir cada mañana
    los ojos, y no hallar
    más que el mismo almanaque en la cocina
    lleno de días rojos, y tu madre
    que ya no te sostiene la mirada.



    LOS PERROS

    Ahora no tienes más ya
    que la sombra del hueco de tu mano,
    y tus días son tiempo,
    y el pasado no existe,
    y el futuro tiene el color exacto
    del fondo de los ojos de los muertos.

    Has de marcharte ya. Tienes la puerta
    como equis en los mapas,
    y tus conversaciones se llenan de maletas.

    Has de marcharte ya, pero no lo haces:
    huelen los perros tu miedo a partir.



    MOEBIUS

    Ves circular maletas con los ojos cansados
    y temes haber perdido la tuya,
    pero no, esa es,
    la que desborda títulos, y tiene
    el color del fracaso y las noches en vela.



    DEUTSCHLAND ÜBER ALLES

    Alemania desfila
    a ciento treinta y cinco kilómetros por hora
    al otro lado de la ventanilla.

    Yo conduzco, tú callas a mi lado.

    Montículos de nieve endurecida
    se van quedando atrás de forma sincopada,
    con ritmo subrayado
    por el diapasón del limpiaparabrisas.

    Al helarse, la nieve se encoge y se comprime.

    El corazón se hiela también, también se encoge
    en esta carretera tan moderna
    que no limita la velocidad
    de nuestra huida a lo desconocido.



    C.V.

    Lo prudente sería
    enviar formularios, apuntarse a academias,
    tener un cierto colchón económico,
    buscar lazos de afecto —conocidos
    de amigos de amigos de conocidos—,
    una casa con alquiler barato,
    un entorno no hostil.

    Estamos condenados
    a una audacia rayana al despropósito.



    DIÓGENES

    Dame un libro y un sitio donde huela
    a tu sexo. No necesito
    más.



    LE PARADISE

    Extrañeza de sentirse a un tiempo
    expulsado y querido.
    También tenemos ocasión de reírnos
    aquí fuera, aunque el llanto
    nos crezca de las manos como dos hormigueros,
    corales a la vez fecundos y dañinos,
    con su sabor a sangre
    y su dulzor.
    Esta vez el paraíso son los otros
                                                                     países.



    PERSPECTIVA AÉREA

    En verano volvemos.  Todavía
    están los padres y están los abuelos,
    y los amigos nos echan de menos,
    reconocemos al llegar olores
    y entendemos aún
    cada conversación y cada broma,
    recuperamos hábitos
    que nunca hemos perdido, están bien instalados
    en nuestro subconsciente, no se olvidan,
    pero al otro verano
    nos extrañamos cuando alguien dice algo
    arrancado al slogan de un anuncio, o se cita
    a una nueva famosa de la tele,
    y las zonas de sombra van creciendo,
    mueren nuestros abuelos, nuestros padres
    se van volviendo ancianos, los amigos
    tienen nuevos amigos, nuestros hijos
    confunden a sus primos, a los que no ven nunca,
    y un verano
    no encontramos fecha en la que venir
    entre los campamentos y el trabajo,
    la invitación a una boda en Bruselas
    y otras inmediateces, y ese aire
    que nos separa tiñe todo de azul
    a lo lejos,
    volver ya no es volver,
    es sólo ir.



    SILENCIO

    Se perderán tu sangre y tu apellido,
    y tu idioma caerá
    como caen en un bosque solitario los árboles,
    sin nadie que lo escuche.



    EXPORTACIÓN

    Compro la fruta en el supermercado
    de un suburbio de Lieja. Últimamente
    acostumbro a mirar la procedencia
    de todo lo que compro. A tres cincuenta
    el kilo de naranjas de Valencia. Me llevo
    cinco euros de una fruta que nunca me ha gustado
    demasiado. Ya en casa
    le quito la camisa y, con la precisión de un cirujano,
    voy sacando los gajos jugosos, que, en la boca,
    con textura de ostra y gusto dulce,
    se transforman en algo diferente
    a lo que conocía. No es naranja
    lo que he comido hasta llegar aquí,
    a este supermercado de un suburbio
    de Lieja.
                       Qué metáfora.



    CAUCHEMAR

    Se me viene a la mente en el insomnio
    una imagen: una vasta extensión de leche quieta.
    De repente
    una gota
    de petróleo
    muy densa.

    Así mi corazón en el exilio.



    DOS PATRIAS

    Tengo en las reuniones
    la palabra en la boca y la mirada esquiva,
    persigo en los diales Radio 5
    y consumo la prensa nacional que me llega
    con ansia de tirante en primavera.
    En los supermercados
    miro las etiquetas como un analfabeto.
    Cuando visito al médico
    gesticulo con trucos de actor sobreactuado.

    El silencio en la noche me da aliento a los días.

    En su cuarto, mi hija pequeña duerme
    y sueña ya
    la mañana siguiente en una lengua extraña.



    ALIEN

    Sentir como una piel extraña el mundo
    que te rodea, ver con ojos vanos
    la espesura del bosque, y no encontrar
    casa a la que volver.



    LISTAS INFINITAS DE VIVOS

                       Lápidas, tumbas con nombres, listas infinitas de muertos.
                                                                           A.M.M.

    Pretendéis reducirnos a una cifra,
    son veinte, treinta mil,
    ¿qué proporción es esa
    entre cuarenta y cinco millones de personas?
    Pero todos tenemos una cara, unos ojos
    que lloran, tenemos todos
    una vida y el afán de vivirla.
    No somos estadísticas. Somos, acaso,
    una mujer, un hombre
    con la extraña manía de pensar.
    También los muertos
    son una multitud en términos históricos,
    muchos más que vosotros, pero no nos imponen
    su visión esquelética del mundo,
    la dictadura de su mayoría.
    No somos cifras. Yo soy Juan Rodríguez,
    arquitecto, poeta, treinta y dos años,
    y me echáis al destierro, a mí y a tanto.

    Que empiece la revuelta.



    NO LUGARES

    Nos encontramos bien en aeropuertos,
    pues no tenemos patria
    y nuestro nombre es Nadie.



    ATLAS DEL FUTURO DEL MUNDO

    Un barco con bandera de Malasia
    llega al puerto de Le Havre una tarde de junio.

    Un puzzle de containers de colores
    comidos por el salitre y el sol
    es desmontado por la garra experta
    de las grúas mecánicas.

    La carga declarada: ropa cara
    de marcas italianas y francesas,
    material deportivo hecho por niños,
    tecnología punta obsolescente.

    La carga clandestina: imitaciones
    de marcas italianas y francesas,
    material deportivo hecho por niños
    y el cadáver de doce polizones.



    MANIOBRAS PARA EVITAR LA EXTINCIÓN

    El tigre de Siberia se ha asentado
    en la zona desmilitarizada
    entre las dos Coreas,
    la región más inhóspita del mundo
    para la vida humana.

    Asolado en su tierra,
    se desplazó kilómetros en busca
    de este refugio de zanjas y alambres
    iluminado algunas noches
    por fuegos nucleares de artificio.

    Le acompañan allí
    el leopardo de Amur, y otras especies
    inencontrables en el resto del mundo.

    El lince ibérico
    merodea Melilla.



    CEMENTERIO DE COLLIURE

                     ¿Oyen los muertos lo que los vivos dicen luego de ellos?
                                                                                                          L.C.

    En Colliure reposa
    el esqueleto macerado en lágrimas
    del poeta que murió de tristeza e ignominia
    hace ya tanto tiempo
                        que ahora lo conmemoran
                                                 incluso sus verdugos.


    MARGEN IZQUIERDA

    Te recibe
    el humo insano de las chimeneas
    que se adentra en tus ojos
    a través de las fosas nasales, y te incita
    a llorar, a ti que no lloraste
    mirando el bulto inmóvil de tu madre
    alejándose
    bajo el reloj parado en la estación.



    MOVILIDAD INTERIOR

    Ahora ya no están más, pero hace poco tiempo
    —tus padres lo recuerdan—
    Madrid sumó al millón y pico de cadáveres
    las sombras de varios cientos de miles
    más, que no valían nada,
    que no tenían nada
    más que hambre y la fuerza de sus manos
    con las que construir casas insólitas,
    desventrar cuevas para guarecerse
    —recuerda, fue en Madrid, hace no tantos años,
    tus padres lo recuerdan, gente en cuevas,
    gente en el barro sucio del Jarama,
    la ciudad que crecía como un órgano enfermo,
    como la espuma glauca de un océano turbio—
    y la burla continua,
    y los analfabetos perdidos en los túneles
    del metro, y los niños hambrientos
    comiendo de un puchero mientras se despiojaban
    con sus ojos de niño desterrado,
    hace no tanto tiempo,
    Madrid, tantos cadáveres
    mirando por encima del hombro a sus espectros,
    recuérdalo, tus padres lo recuerdan.




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  • 02/21/17--05:14: JAUFRÉ RUDEL [19.961]

  • Muerte de Jaufré Rudel. Biblioteca Nacional de Francia.


    Jaufré Rudel

    Jaufré Rudel de Blaye, en occitano original Jaufrés Rudèls de Blaia (h. 1113 en Blaye - h. 1170), trovador y poeta aquitano en lengua de oc.

    Llamado "el príncipe de Blaye", villa cercana a Burdeos, en el estuario del Garona, de la que fue señor, era un caballero de la corte de Leonor de Aquitania originario de Saintonge y estuvo relacionado con Alfonso Jordán de Tolosa y con Hugo Bruno VII de Lusignano. Participó en la Segunda Cruzada (1147-1149), organizada por el rey Luis VII de Francia. Según la leyenda, habría oído hablar de la princesa de Trípoli (Libia) y se enamoró de oídas, pero perdidamente, de ella. En el curso de la Segunda Cruzada cayó muerto en los brazos de la princesa de Trípoli.

    Escribió chansons de amor en que habla de «L'amour de loin» (amor lejano), es decir, el amor imposible y sin esperanza, celebrando quizá a la condesa Hodierna de Trípoli, una dama de buen linaje e inaccesible, o según otros a Melisenda, hija del conde Raimundo I, descendiente de los condes de Toulouse, y de Hodierna de Jerusalén, hija a su vez de Balduino du Bourg y de la princesa armenia Morfia; de ella habría oído hablar a algunos peregrinos de Antioquía. Parece que falleció realmente de amor por una dama establecida en Oriente y que, por razones materiales o psicológicas, este amor fue un amor imposible, amour de loin o, en su nativa lengua provenzal, («amor de lonh» o «amor de terra londhana»). Han subsistido seis, según otros ocho poemas de Rudel, de los cuales cuatro poseen notación melódica. Fueron editados por el medievalista Alfred Jeanroy.

    La leyenda

    La leyenda se recoge en una de las numerosas rasós o vidas de trovadores provenzales que se han transmitido, y dice así: enamorado de oídas, empezó a escribir poemas a esta musa según las reglas del amor cortés, una de las cuales era no mencionar el nombre de la dama. Como su pasión crecía y no se menguaba, se le hizo necesario hacer tan largo viaje para ir a cantarle sus sentimientos de tú a tú, pero el trayecto era largo y costoso, y Jaufré era pobre y además tenía una salud precaria. Se propuso por lo menos que ella supiera de él y confió sus escritos a los caballeros que partían a Tierra Santa y les hacía prometer que los harían llegar a las manos de Melisenda. Tardó años, pero logró ahorrar lo suficiente para embarcarse y conocer a la protagonista de sus pensamientos a la que dedicaba cada verso que escribía.

    Se embarcó en Marsella en una nave templaria; pero su salud ya se había quebrantado mucho y las penurias de la travesía le dieron la puntilla; llegó gravemente enfermo a Palestina. Aun así, arribó a Trípoli y se acercó al palacio pidiendo audiencia con la condesa, pero los guardias se rieron de él y le dieron largas. Su insistencia hizo, sin embargo, que la señora supiese de su presencia y murió en sus brazos, como cuenta la vida anónima:

    Él enfermó estando en la nave, y fue llevado a Trípoli, a un albergue y tenido por muerto. Se lo hicieron saber a la Condesa; y ella fue a él, hasta su lecho y lo tomó entre sus brazos. Y él supo que era ella, que era la Condesa y al momento recobró el oído y la respiración, y loaba a Dios que la había mantenido con vida hasta que la hubo visto. Y así él murió entre sus brazos. Y ella lo hizo sepultar con gran honor en la casa del Temple. Y luego, en aquel mismo día, ella se hizo monja, por el gran dolor que sentía por la muerte de él.

    La leyenda de Jaufré Rudel les resultó un tema irresistible a los poetas del Romanticismo. Escribieron sobre él Ludwig Uhland, Heinrich Heine, Robert Browning (Rudel to the Lady of Tripoli) y Giosuè Carducci (Jaufré Rudel). Algernon Charles Swinburne retomó este tema constantemente desde su The Triumph of Time, en The Death of Rudel y en Rudel in Paradise (también titulado The Golden House) . Inspiró la pieza teatral de Edmond Rostand La Princesse lointaine (La princesa lejana) y la ópera L'amour de loin de Kaija Saariaho, sobre libreto de Amin Maalouf. También el compositor mexicano Ricardo Castro estrenó en 1906 una ópera sobre el tema titulada "La Leyenda de Rudel",con libreto de Henry Brodi. En 1926, sir Nizamat Jung Bahadur, de Hyderabad, escribió también un poema de épica culta sobre este tema, Rudel of Blaye. Recientemente, José Guadalajara ha realizado una versión de esta leyenda bajo el personaje de Jorge de Rudelia, trasunto de Jaufré Rudel, en su novela histórica El alquimista del tiempo (2015).

    Obras

    Belhs m'es l'estius e·l temps floritz
    De monte lapis 
    Lanqand li jorn son lonc en mai 
    Lan quan lo temps renovelha 
    No sap chantar qi so non di 
    Pro ai del chan essenhadors
    Qan lo rius de la fontana 
    Qand lo rossignols el foillos 
    Qui non sap esser chantaire 




    Jaufre Rudel. El amor de lejos

    Un trovador enamorado en la distancia: El amor de lejos

    Que nadie de mí se asombre:
    amo a quien jamás me verá
    Otro amor en mi corazón no hay
    salvo el de una dama que jamás he visto
    Ninguna alegría me regocija
    Ni sé qué bien me vendrá.


    En la corte de Leonor, en Aquitania, había un trovador, Jaufre Rudel. Tan delicadas eran sus canciones que las damas y doncellas no se cansaban de escucharlo. Más de una, entemecida, le lanzaba insinuantes miradas, pero, Jaufré Rudel permanecía solitario. Soñaba con un amor ideal. 

    Tengo una amiga pero no sé quién es, pues jamás a fe mía la vi... y mucho la amo... Ninguna alegría me place tanto como la posesión de este amor lejano.


    Hodierna de Trípoli

    Jaufré estaba enamorado de la condesa de Trípoli. Decían (los cruzados) que era una de las mujeres más bellas del mundo. Jaufré no sabía cuánto exactamente porque nunca la había visto, pero esto no impedía que le enviara larguísimos poemas de amor. Le escribía "cantos al amor lejano" es decir, chante d`un amour de lonh. 
    Finalmente, ella lo invitó para que la conociera, pero él vio el bello rostro de la dama una sola vez... dice la leyenda:

    Él enfermó estando en la nave, y fue llevado a Trípoli, a un albergue y tenido por muerto. Se lo hicieron saber a la Condesa; y ella fue a él, hasta su lecho y lo tomó entre sus brazos. Y él supo que era ella, que era la Condesa y al momento recobró el oído y la respiración, y loaba a Dios que lo había mantenido con vida hasta que la hubo visto. Y así él murió entre sus brazos. Y ella lo hizo sepultar con gran honor en la casa del Temple. Y luego, en aquel mismo día, ella se hizo monja, por el gran dolor que sentía por la muerte de él.

    La princesa lejana de Jaufre Rudel.




     En mayo cuando los días son largos de Jaufré Rudel 


    I   En mayo cuando los días son largos,
        me es agradable el dulce canto de los pájaros de lejos
        y  cuando me he separado de allí,
        me acuerdo de un amor de lejos.
        Apesadumbrado y agobiado de deseo
        voy de modo que el canto ni la flor del blanco espino
        me placen más que el invierno helado.

    II  Nunca más gozare de amor
        si no gozo de este amor de lejos,
        pues no sé en ninguna parte, ni cerca ni lejos,
        de más gentil ni mejor.
        Su mérito es tan verdadero y tan puro que
        ojala allí, en el reino de los sarracenos
        fuera llamado cautivo por ella.

    III Triste y alegre me separare
         cuando vea este amor de lejos,
         pero no sé cuándo lo veré,
         pues nuestras tierras están demasiado lejos.
         ¡Hay demasiados puertos y caminos!
         Y, por esta razón, no soy adivino…..
         ¡Pero todo sea como Dios quiera!

    IV El gozo me aparecerá cuando le pida,
         por amor de Dios, el amor de lejos;
         y, si le place, me albergare cerca de ella,
         aunque soy de lejos.
         Entonces vendrá la conversación agradable,
         cuando, amante lejano, estaré tan próximo
         que con hermosas palabras gozaré de solaz

    V   Bien tengo por veraz al Señor,
         gracias a quien veré el amor de lejos;
         pero por un bien que me corresponda,
         tengo dos males, porque de mi está tan lejos…..
         ¡Ay! ¡Ojala fuera allí peregrino
         de modo que mi báculo y mi manto
         fueran contemplados por sus hermosos ojos.


    VI Dios, que hizo todo cuanto va y viene
         y sostuvo este amor de lejos,
         me de poder – que el ánimo ya lo tengo –
         para que en breve vea el amor de lejos,
         verdaderamente, en lugar propicio,
         de modo que la cámara y el jardín
         me parezcan siempre palacio.

    VII Dice verdad quien me llama ávido
          y anheloso de amor de lejos,
          pues no hay otro placer que tanto me guste
          como el gozo del amor de lejos.
          Pero lo que quiero me está tan vedado
          porque mi padrino me hechizo
          de modo que amara y no fuera amado.

    VIII ¡Pero lo que quiero me esta tan vedado!....
           ¡Maldito sea el padrino

           que me hechizo para que no fuera amado!



    Belhs m'es l'estius el temps floritz 

    Belhs m'es l'estius e'l temps floritz,
    Quan l'auzelh chanton sotz la flor,
    Mas ieu tenc l'ivern per gensor
    Quar mais de joy m'i es cobitz,
    Et quant hom ve son jauzimen
    Es ben razos e d'avinen
    Qu'om sia plus coyndes e guays.

    Er ai ieu joy e suy jausitz
    E restauratz en ma valor,
    E non iray jamai alhor
    Ni non querrai autruy conquistz,
    Qu'eras say ben az escien
    Que selh es savis qui aten
    E selh es fols qui trop s'irays.

    Lonc temps ai estat en dolor
    Et de tot mon afar marritz,
    Qu'anc no fuy tan fort endurmitz
    Que no'm rissides de paor.
    Mas aras vey e pes e sen
    Que passat ai aquelh turmen,
    E non hi vuelh tornar ja mays.

    Mout mi tenon a gran honor
    Totz selhs cui ieu n'ey obeditz
    Quar a mon joi suy revertitz:
    E laus eu lieys e Dieu e lhor,
    Qu'er an lur grat e lur prezen,
    E, que qu'ieu m'en anes dizen,
    Lai mi remanh e lay m'apays.

    Mas per so m'en sui encharzitz,
    Ja non creyrai lauzenjador:
    Qu'anc no fuy tan lunhatz d'amor
    Qu'er no'n sia sals e gueritz.
    Plus savis hom de mi mespren,
    Per qu'ieu sai ben az escien
    Qu'anc fin'amors home non trays.

    Mielhs mi fora jazer vestitz
    Que despolhatz sotz cobertor
    E puesc vos en traire auctor
    La nueyt quant ieu fuy assalhitz.
    Totz temps n'aurai mon cor dolen,
    Quar aissi's n'aneron rizen,
    Qu'enquer en sospir e'n pantais.





    I enjoy the Summer and the flowers' season
    when birds sing below the flowers,
    but I find Winter more pleasant
    because I am granted joy,
    and when one envisions his pleasure
    it is a good and solid reason
    for him to be kinder and merrier.

    Now I have joy, and I am merry
    and am restored in my worth,
    and I shall never turn elsewhere
    nor shall I covet other people's conquests
    because now I know for sure
    that he is wise who waits
    and that he is a fool who loses his patience.

    For a long time, I was in pain
    and oblivious to what happened to me
    and I was never so fast asleep
    that I couldn't wake up for fear.
    But now I see, and judge and feel
    that that torment is over
    and I don't ever want to be back to it.

    They very much congratulate,
    all those whom I have listened to
    because I am back to my joy:
    and praises be both to god and to them
    who have their merit and their meed.
    And, whatever I went about saying,
    I rest and am satisfied there.

    And, since I am exalted,
    I shan't believe any slanderer:
    I never was so far from love
    as much as I am safe and healed now.
    Even those wiser than me are wrong
    because I well know for sure
    that a perfect love doesn't betray anyone.

    I'd better go to bed dressed
    than naked under the covers
    and I can produce as evidence
    the night I was assaulted.
    I shall always grieve about it,
    because they went away laughing, like that,
    while I still sigh and repine about it.




    Lanqand li jorn son lonc en mai

    Lanquan li jorn son lonc en may
    M'es belhs dous chans d'auzelhs de lonh,
    E quan mi suy partitz de lay,
    Remembra'm d'un' amor de lonh.
    Vau de talan embroncx e clis
    Si que chans ni flors d'albespis
    No-m valon plus que l'yverns gelatz.

    Be tenc lo Senhor per veray
    Per que formet sest' amor de lonh,
    Mas per un ben que m'en eschay
    N'ai dos mals, quar tant suy de lonh.
    A! quar no fuy lai pelegris,
    Si que mos fustz e mos tapis
    Fos pels sieus belhs huelhs remiratz!

    Be'm parra joys quan li querray,
    Per amor Dieu, l'ostal de lonh,
    E, s'a lieys platz, alberguarai
    Pres de lieys, si be'm suy de lonh,
    Qu'aissi es lo parlamens fis
    Quan drutz lonhdas et tan vezis
    Qu'ab cortes ginh jauzis solatz.

    Iratz e dolens m'en partray,
    S'ieu no vey sest' amor de lonh.
    No'm sai quora mais la veyrai,
    que tan son nostras terras lonh.
    Assatz hi a pas e camis,
    e per aisso no'n suy devis.
    Mas tot sia cum a lieys platz.

    Jamai d'amor no'm jauziray
    Si no'm jau d'est' amor de lonh,
    que mielher ni gensor no'n sai
    ves nulha part, ni pres ni lonh.
    Tant es sos pretz ricx e sobris
    Que lai el reng dels Sarrasis
    fos hieu per lieys chaitius clamatz.

    Dieus que fetz tot quant ve ni vay
    E formet sest'amor de lonh
    Mi don poder, que cor be n'ai,
    Qu'ieu veya sest'amor de lonh,
    Verayamen en luec aizis,
    Si que las cambras e'l jardis
    Mi resemblo novels palatz.

    Ver ditz qui m'apella lechay
    e deziros d'amor de lonh,
    que nulhs autres joys tan no'm play
    Cum jauzimen d'amor de lonh.
    Mas so qu'ieu vuelh m'es tant ahis,
    Qu'enaissi'm fadet mos pairis
    Qu'ieu ames e nos fos amatz.





    During May, when the days are long,
    I admire the song of the birds from far away
    and when I have gone away from there
    I remember a love far away.
    I go scowling, with my head down
    so much that songs and hawthorn flowers
    aren't better, to me, than the frozen Winter.

    I trust the Lord's fairness
    in having formed this faraway love,
    but for each consolation I achieve
    I get two ills, because I am so far away. 
    Ah! Why didn't I go there as a pilgrim,
    so that my staff and hooded cloak
    would be beheld by her beautiful eyes!

    It will certainly feel like joy when I ask her,
    for the love of god, to be hosted;
    and, if she likes it, I shall lodge
    near her, although I come from far away.
    Conversation is so pleasant
    when the faraway lover is so close
    that he would long to be welcome with kind intentions.

    Sad and pained shall I depart
    if I don't see this faraway love.
    I don't know when ever I shall see her,
    so far away our countries are.
    So many are the crossings and the roads
    that I can't tell.
    But be everything as she likes it.

    Never shall I enjoy love
    unless I enjoy this faraway love,
    since I don't know of a better and worthier one
    anywhere, near or far away.
    So abundant and sovereign her merits are
    that down there, in the Saracen's realm,
    I wish I were held in thrall for her sake.

    God, who created all that comes and goes
    and shaped this faraway love,
    give me strength, since I already have the intention,
    so that I see this love far away
    in reality and in a fitting place
    so that rooms and gardens
    shall seem to me to be new palaces.

    He is true who calls me grasping
    and longing for a faraway love
    since no other merriment pleases me as much
    as enjoying a faraway love.
    But that which I want is denied to me
    since my godfather made it so
    that I love and am not loved.





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