Alex Simões
Brasil. Nacido 03 de mayo 1965
Poeta, escritor, profesor, traductor de poesía, intérprete y ciberartivista . Es el autor de "Catados Cuarenta y Un Sonetos " y zine "(HAI) céufies". Tiene poemas publicados en diversas revistas literarias como "La poesía siempre" y los "Palmares" de la revista (de próxima publicación) y participa en algunas antologías, como el de la colección Poesía Ogun Tonos negros y "Escribir las Paredes Down" (EE.UU., en prensa). También promueve talleres de poesía, actuaciones y hace intervenciones urbanas, produce eventos literarios y culturales. Se encuentra actualmente en el proceso de edición de su libro "toobitornottoobit", mientras que se traduce "entonces Daniela" (por Ignacio Uranga), co-edición con edición Ederval Fernandes de la Oficina de la revista Bahía Literatura. Ya está escribiendo el tercer y cuarto libros, y pensando en el quinto. Mantiene el blog toobitornottoobit.blogspot.com.br.
Foto de Lissandra Pereira.
Cierra los ojos para la poesía
Cierra los ojos para la poesía
Ponla en las copas de vino
vierte a lo largo del camino
el poema nuestro de cada día
por ironía dale la vuelta al dolor
imprime la belleza en pergamino
denuncia todo el dolor de estar solo
cuenta también todo el gozo
Permaneced de rodillas para la poesía
y pregunta sin pudor al firmamento
No es que es que este vacío este momento
Busca en la palabra armonía
pero no te dejes, que a la vida se le olvida
ni que las polillas se te suban a la cabeza
Alex Simões, traducido por Marta Quiñonez
http://toobitornottoobit.blogspot.com.es/
Fechai os Olhos para a Poesia
fechai os olhos para a Poesia,
colocai-a em cálices de vinho,
derramai ao longo do caminho
o poema nosso de cada dia.
afastai vossa dor da ironia,
imprimi a beleza em pergaminhos,
deletai toda a dor de ser sozinho
mas também relatai toda alegria.
ficai de joelhos para a Poesia
e pedi, sem pudor, ao firmamento
que não vos seja vão cada momento
de busca, na palavra, da harmonia.
mas não deixeis que a vida vos esqueça,
nem que as traças vos subam às cabeças.
Desatino (duas leituras)
Como si no bastara tu locura,
las manos dilacerando mis partes,
boca chupando boca, ese arte
que permite jodernos con dulzura
Porque también en el gozo hay tesitura.
y sombra y luz y aroma y desatino
del tiempo y la falta de él, lo femenino
y lo masculino, el encuentro y la búsqueda.
Sin embargo, somos clandestinos, nuestro amor
es de aquellos que huyen al rigor
de los días tormentosos y de luto.
He aquí la cena excitante para los canallas:
Nuestro amor, un banquete para los putos,
una ofrenda para exus y ángeles.
Traducido por, Ángela Hernández
A meio da noite
No meio da noite meia alegria
No meio do escuro meia tristeza
No meio da vida tanta incerteza
Nessa noite eu vi essa meia alegria
Do amigo que há tanto tempo não via
Ofertei o meu incenso, doei a minha mirra
Dividi o meu ouro por aquele que chegou
Suspeitei da lágrima, segurei o sorriso
Contemplei o meu sonho como um perfeito narciso
E as palmas e os aplausos e os abraços
Os sorrisos, as mãos apertadas…
Essa meia alegria foi tanta que encheu
O meio escuro dessa vida que sou eu.
No meio da noite, brilharam fortes
Os olhos acesos do luar que não apareceu.
Todo poeta
para Kátia Borges e Marcus Vinícius Rodrigues
Todo poeta é experimental
Ou não é poeta
É pagador de hipoteca
É arremedo de pateta
É batedor de punheta
É artistinha de proveta
É obcecado por buceta
Seja a sua seja a alheia
Ou dador comedor de cu
Todo poeta anda nu
Pra provar que em sendo nu
Todo poeta e toda poeta é
Transgênero por vocação
Híbrido por definição
Todo poeta é ladrão
Nem sabe o que é palavrão
E fala cu & xoxota pra caralho
Renovando as listas do diário
Dos vícios em ordem de predileção
Ou, senão, não tem o que pôr na mesa
Ou o poeta é fundado na incerteza
Ou já não sei o que é poeta, não.
mendiga trans
apesar de tudo,
sorria muito
e até cantava.
desde que lhe furaram um olho
numa noite em que dormia
sonhando que dublava Maria Callas,
sorri menos.
mas deu a volta por cima:
casou com outro mendigo,
mais jovem e bonito,
e vivem no Campo Grande,
um cuidando do outro.
para comemorar as bodas de papelão,
deu luzes no cabelo
e arrasou.
se Ocidente, rapaz
(para uirá e gilberto gil)
"Podemos
(não importa
que o império do medo)..."
(Carlos Anísio Melhor - colagem. In: ___Canto Agônico)
se podemos sorrir, e se mais livres
nós estamos, não sei, porque ruindo
o palácio e a festa, a gente vive
menos feliz, nossos irmãos caindo,
se do leste ou do oeste, ainda irmãos,
caindo como bombas, kamikases
(in)voluntários, bombas que em vão
vão caindo e anunciando a nova fase:
nossa história tão digna e tão rica (?)
não acabou ainda, virão mais
novas formas de dizer que quem fica
tem de ser mais forte, mais rico, mais
claro, mais seco, mais primeiro mundo:
se Oriente, tem petróleo, no fundo.
Salvador, 20 de Setembro de 2001